Um infeliz dado policial revelou o que todos suspeitavam, que é o alto índice de suicídios consumados na cidade no ano de 2017. Estatísticas da Polícia Militar de Araras divulgaram que entre janeiro e novembro deste ano foram oito mortes por suicídio no município, o dobro em comparação a 2016. Os números de dezembro não foram divulgados.

Outros números assustadores são os de registros de tentativas de suicídios. No entanto, esses indicadores diminuíram neste período. Em 2017 foram 33 suicídios tentados, enquanto no mesmo período em 2016 foram 46 casos de pessoas que não obtiveram êxito no feito.

A psicóloga Elaine Reis, que é especialista no assunto, disse que não existe um fator específico para o aumento dos casos neste ano. “Existem hipóteses que podem ser levadas em consideração, como, por exemplo, devido à crise, pessoas preocupadas com situação financeira, transtornos mentais cada vez mais presentes na sociedade, principalmente a depressão”, explica a psicóloga.

Elaine ainda enfatizou que o importante é focar na valorização da vida e não apenas na busca das causas. “Depressão gera incapacidade e precisa ser tratada. Os serviços de saúde estão com funcionários preparados para atender essa demanda. O suicídio é ‘democrático’, qualquer pessoa próxima, ou não, pode estar em risco. Desta forma, precisamos conversar mais e nos atentar mais a mudanças de comportamento, lembrando sempre que a cada dez casos nove podem ser evitados com trabalho de prevenção”, alertou Elaine.

Em setembro Elaine e a também psicóloga Nayara Santos encabeçaram uma campanha de prevenção ao suicídio. Aproveitando o “Setembro Amarelo”, mês voltado ao tema, a dupla palestrou sobre o assunto em alguns eventos na cidade.

Durante uma sessão na Câmara Municipal, Elaine discursou sobre o tema. A psicóloga discorreu sobre as formas de prevenção e ética na divulgação do suicídio, a importância de conversar sobre o tema com os jovens e apresentou slides com estatísticas de suicídios no Brasil, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). De acordo com os números, há uma estimativa de 804 mil homicídios por ano no mundo, sobretudo em países onde a renda é considerada baixa ou média. Os casos envolvem principalmente os homens e a cada 48 segundos existem pessoas cometendo suicídio no planeta. “O suicídio é um processo de decisão sobre as vantagens e desvantagens de viver, trata-se de um ato cujo risco pode aparecer em diversos tipos de agravos de saúde mental ou relacionados a doenças físicas, crônicas, doenças terminais, desemprego, entre outros, sendo considerado um problema de saúde pública”, disse.

Elaine explicou, ainda, que o Brasil é o oitavo país em número de suicídios. Em 2012 foram 11.821 mortes, sendo 9.198 homens e 2.623 mulheres. Entre os jovens o suicídio só perde para as mortes em acidentes de trânsito e por violência armada. Para a psicóloga, as pessoas que fomentam a ideia do suicídio, na sua grande maioria, dão alguns sinais claros de que estão com sérios problemas para os quais não veem saída racional e objetiva. Atualmente há um aumento dos casos em idosos. “Houve um aumento dos suicídios entre os idosos em 2016 e agora em 2017, por causa de eles se sentirem inúteis, desamparados, por ficarem viúvos, por se aposentarem e acharem que não servem mais para nada”, relata.

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