Sobre dezembro de 2015, os licenciamentos de janeiro foram 21,5% menores
Sobre dezembro de 2015, os licenciamentos de janeiro foram 21,5% menores

O ano já começou fora da curva para o mercado automotivo: as vendas de veículos tiveram queda de 39% no primeiro mês de 2016 ao somarem 155,3 mil unidades, entre leves e pesados, contra os 253,7 mil veículos registrados em igual período de 2015, segundo dados do Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam) e divulgados na segunda-feira, 1º, pela Fenabrave, a associação dos concessionários. Sobre dezembro de 2015, os licenciamentos de janeiro foram 21,5% menores.

A maior retração foi registrada pelo segmento de veículos pesados que engloba caminhões e ônibus. Com 5,6 mil unidades, sendo 4,3 mil caminhões, os licenciamentos ficaram 43,5% abaixo do verificado há um ano, quando o mercado absorveu 9,9 mil veículos. O índice de queda de 43% é o mesmo tanto para caminhões quanto para ônibus.

Já o emplacamento de leves que inclui automóveis e comerciais leves caiu em proporção um pouco menor, de 38,6%, para um total de 149,7 mil unidades, puxado pela queda de 51% dos comerciais leves, com 18,4 mil unidades sobre volume de 37,7 mil do ano anterior. Automóveis somaram 131,2 mil unidades, recuo de 36,3% no comparativo anual.

Em comunicado, o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção, aponta fatores que influenciaram o desempenho neste início de ano. “Começamos 2016 sem expectativa de crescimento, porém, os resultados de janeiro não devem ser balizadores para as projeções para o ano, pois este mês é atípico historicamente, e carrega aspectos negativos por algumas razões que não se repetem ao longo do ano. Como ocorre tradicionalmente no mês de dezembro, as promoções atrativas de final de ano se destacaram e os consumidores estavam com mais disponibilidade de recursos, em função do 13º salário, provocando alguma antecipação de compra. Esse aumento de demanda no fim do ano passado refletiu, diretamente, no baixo desempenho das vendas em janeiro deste ano, que já é um mês mais fraco em função das despesas extras das famílias, com matrículas e materiais escolares, impostos como IPVA, entre outros que inibem investimentos. Esse ano a retração de janeiro se mostrou ainda mais acentuada na comparação com o mesmo mês de 2015 porque, naquela época, ainda havia veículos disponíveis com redução do IPI, favorecendo o mercado”, explicou em nota publica no site da Fenabrave.

A Fenabrave estima mais uma queda anual após o tombo registrado em 2015 , embora espere certa acomodação do mercado. “Faremos as revisões (das projeções) a cada três meses para que possamos avaliar melhor o comportamento do mercado e o viés da economia, mas acreditamos que o pior resultado ocorreu em 2015 e que este ano não deve trazer os mesmos níveis de queda”, argumenta Assumpção.

Lucas Neri

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