Jair Lotto, em 25 de março de 2011, na praça Barão de Araras, lendo a Folha de S. Paulo e tomando seu cafezinho no banco (substituído) da extinta Viação Godoy

Com tristeza ocorreu na madrugada de sábado, dia 2, o falecimento de Jair Lotto. Internado com problemas de saúde, os médicos fizeram de tudo para salvá-lo com todos os recursos da medicina. Todavia, Jair não resistiu. Ele era um dos meus amigos mais afáveis. Muito alegre e de bem com a vida, quando não estava no Jardim Público, Clube Ararense e outros locais junto a seus conterrâneos, estava sempre contando piadas e fazendo trocadilhos inteligentes e engraçados. Chegou atá a inventar a “TV-color”, um projetor que enviava imagens de propaganda, durante anos, sobre a banca de jornais do “Caju”.

Filho de Dona Mazé e do Quicha Lotto, ou seja, Dona Maria José e Antônio Lotto, teve dois irmãos: Jadil e Maria da Penha. Certo dia, um japonês paulistano apareceu de lambreta. Chegando em Araras, uma cidade para ele desconhecida, pediu-lhe informações. O japonês identificou-se como Tachio Noro e Jair, vendo-o meio perdido numa cidade desconhecida, ofereceu-lhe para conhecer o Clube Ararense e posar em sua residência, mas, esquecendo seu nome, chamou-o por Jorge. E o nome pegou. O japonês adorou Araras e passou a ser sócio do clube, conhecendo diversos amigos, como eu, Osíris Martinelli, Fábio e Élcio Faggion, bem como outros amigos, mas para Jair o nome do japa era “Jorge” e todos os fins de semana Noro estava aqui, passando a fazer parte de meu rol de amigos. Jair escrevia páginas e um livreto, com piadas, cacofatões e frases hilariantes, os quais presenteava os que lhe eram caros.

Amigo íntimo de meu primo Fábio Faggion, ambos mantinham a aspiração de enriquecerem em algum ramo. Para isso, prestaram exames de madureza e, posteriormente, surgiu o desejo de montarem uma indústria de extração de óleo de laranja. Dedicaram-se meses ao projeto, mas a falta de dinheiro os fez desistirem do negócio. Fins de semana e às noites, juntava-se à nossa turma e fazia parte de todas as inovações do Osíris, ir no clube, ao cinema, viajar, participar de times de basquete e rodar pela cidade em busca de qualquer lazer. Às vezes frequentava o rancho de pescaria junto à turma de Zé Chiaradia e levava todos a rirem até alta madrugada com suas piadas e brincadeiras.

Um sábado, a noite foi desastrosa. Rodando pela cidade com dois amigos: Pepe Carrascosa e Jaime Godoy, um Simca de outra cidade corta-lhes a preferencial e choca-se no meio da DKW em que se encontravam. E Jair é arremessado violentamente contra um poste ou guia da sarjeta. Jair ficou desacordado e em coma com fratura de crânio e durante cerca de 60 dias todos esperavam a sua morte. Mas, para nossa alegria, Jair acordou. Não se lembrava de nada, mas o acidente deixou sequelas. Passou a andar com dificuldades devido à lesão no crânio, mas seu pai, Quicha Lotto, foi o grande fisioterapeuta. Incansável, durante meses, o fez exercitar-se em difíceis caminhadas até a avenida do Filtro. Com a morte de seus pais continuou a exercitar-se, todas as tardes no gramado da AAA e, recuperado, perambulava pela cidade com suas citações engraçadas.

Doente, faleceu dia 2, passado, após dias internados. Hoje deve estar em uma estrelinha contando piadas para seus amigos de turma que já se foram. Adeus Jair! De nossa turma do Clube Ararense você passou a fazer parte de 12 amigos já falecidos.

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