Uma das araras canindé soltas em janeiro pelo projeto Pró-Arara foi atacada por um cão, não resistiu aos ferimentos, e morreu na tarde de ontem, dia 1º. A ave vivia na praça Martinico Prado no Centro, mais conhecida como “praça do Tiro de Guerra”.

Último registro da arara instantes antes de sua morte. A foto, inclusive, foi tirada pela dona do cão que atacou a ave

Segundo a dona do cão, que prefere não se identificar, ela passeava com seu cachorro de porte médio pela praça, aproveitando também para fazer fotos da arara que comia um pedaço de melancia em cima de uma mesa da praça. “Eu estava fotografando até que o cachorro escapou das minhas mãos e deu um bote sobre a arara”, disse a mulher, que também relatou que teve que sair rapidamente do local por conta de ameaças de pessoas que estavam no local que diziam que iriam lincha-la ou até mesmo matar seu cachorro.

Após o incidente, à veterinária do projeto Pró-Arara, Fernanda Senter Magajevski, foi até o local. “Levamos a arara imediatamente para o nosso centro de reabilitação, mas ela já estava sem vida, infelizmente”, disse a profissional. Segundo Fernanda, foi feita a autópsia na ave e foi constatada quatro perfurações fatais, duas no rim e duas pulmão, a causa da morte foi uma hemorragia interna.

Segundo Fernanda, tratar-se de arara adulta proveniente do Cras PET (Parque Ecológico Tietê) com anilha de controle nº 23.708. Um boletim de ocorrência, não criminal, foi registrado na Delegacia de Polícia de Araras, com as presenças tanto da veterinária e também da dona do cão que atacou a ave.

Riscos naturais

Após o episódio, a veterinária reafirmou o que vem declarando desde a soltura das aves e a chegada de alguns exemplares à zona urbana: que elas correm na cidade os mesmos riscos que correm na natureza. “Soltas em uma área longe da cidade, numa mata, por exemplo, elas também podem ser atacadas e os registros mostram que são naturalmente alvo de predadores, como lobo guará, jaguatiricas, entre outros. Se descerem para comer uma fruta que caiu de uma árvore, por exemplo, são facilmente alvo de predadores”, reforça.

A veterinária, entretanto fez mais um alerta sobre o hábito das pessoas, interagindo com as araras, colocarem alimentos nas praças e locais públicos onde elas têm sido vistas com frequência. “Se for para colocar alimentos, que seja no alto e nunca no chão. As araras são ágeis e espertas naturalmente, mas quando estão comendo podem se distrair como parece ter ocorrido nesse caso. Há inclusive comedores suspensos que foram colocados pela Secretaria Municipal de Serviços Públicos, Urbanos e Rurais para essa finalidade”, explicou.

Ela reforça que o incidente não modifica as ações e nem invalida o trabalho desenvolvido pelo projeto Pró-Arara, que auxilia no combate ao tráfico de aves silvestres.

Segundo relatos de populares, haveria mais duas araras canindé na zona urbana – uma nas árvores no entorno do Centro de Saúde Mental Aguinaldo Bianchini e outra numa área verde pública do Jardim Ouro Verde. (Lucas Neri com informações Secom)

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