Defensivos agrícolas: destinação das embalagens funciona com uma espécie de política reversa.

Cerca de quatro mil quilos de embalagens vazias de agrotóxicos são destinadas corretamente por mês em Araras. É o que aponta balanço da unidade no munícipio da Coplacana (Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo), que é a responsável por esta destinação. Embora a quantidade dependa muito da época do ano devido à safra, a média mensal fica em torno de 400 a 450 embalagens recolhidas.

O material deve ser encaminhado obrigatoriamente pelos agricultores até o posto de descarte da Coplacana, que fica na Cooperativa de Reciclagem “Araras Limpa”, que funciona junto ao antigo aterro sanitário, em uma estrada rural no Parque Tiradentes, na Zona Leste da cidade. O local foi cedido pela Prefeitura. Em seguida, as embalagens são encaminhadas até Piracicaba, que dá a destinação correta, como reciclagem, por exemplo.

O engenheiro agrônomo José Salim Chaib de Oliveira, da Secretaria Municipal de Serviços Públicos, Urbanos e Rurais de Araras, explica que a destinação das embalagens funciona com uma espécie de política reversa. “Existe lei específica sobre embalagem vazia de defensivo. Quando o agricultor compra o produto a revenda é obrigada por lei a indicar na nota fiscal um local pra ele devolver a embalagem vazia”, diz.

Esses locais/comércios de revenda acabam sendo parceiros dos órgãos responsáveis pela coleta e destinação correta das embalagens. “A entrega pode ser em qualquer posto oficial de qualquer cidade, mas o revendedor tem que indiciar o local correto do descarte”, afirma Salim. Há a necessidade, ainda, de uma limpeza especial da embalagem. “As embalagens precisam ser obrigatoriamente tríplice lavadas. O agricultor tem que, com a embalagem vazia, adicionar um quarto de água, agitar por 30 segundos e por três vezes, e essa água pode ser adicionada na bomba para usar na pulverização”, explica o engenheiro. O agricultor tem até um ano a partir da compra para devolver a embalagem vazia no posto oficial, sendo passível de punição se não respeitar o prazo.

Em todo o país, conforme balanço divulgado nesta semana pelo inpEV – Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias, em 2014 foram destinadas de forma ambientalmente correta 42.645 toneladas de embalagens vazias de defensivos agrícolas em todo o país. Comparado a 2013, a logística do material alcançou um crescimento de 6%.

O desempenho, segundo o instituto, é resultado do entrosamento e cumprimento das responsabilidades compartilhadas entre os elos do Sistema Campo Limpo (logística reversa de embalagens vazias de agrotóxicos). A análise, realizada pelo inpEV (Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias), mostra que os Estados que obtiveram maior crescimento percentual na quantidade destinada foram Rondônia, Piauí e Rio de Janeiro.

Já as cargas mais volumosas saíram do Mato Grosso, Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul, Bahia e Mato Grosso do Sul – juntos, eles correspondem a 72% do total destinado. No Estado de São Paulo o crescimento foi de 1% entre os anos, sendo de 4.769 em 2013 para 4.816 no ano de 2014.

O inpEV é uma entidade sem fins lucrativos criada pela indústria fabricante de agrotóxicos para realizar a gestão pós-consumo das embalagens vazias de seus produtos de acordo com a Lei Federal nº 9.974/2000 e o Decreto Federal nº 4.074/2002. A legislação atribui a cada elo da cadeia (agricultores, fabricantes e canais de distribuição, com apoio do poder público) responsabilidades compartilhadas que possibilitam o funcionamento do Sistema Campo Limpo (logística reversa de embalagens vazias de agrotóxicos).

O instituto foi fundado em 14 de dezembro de 2001 e entrou em funcionamento em março de 2002. Atualmente, possui 100 empresas e nove entidades em seu quadro associativo.

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

*