O governo argentino enviará uma missão ao Brasil, daqui a trinta dias, para avaliar a criação de um sistema conjunto de defesa cibernética, informou o ministro da Defesa, Celso Amorim. Amorim se encontrou com a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, e teve reuniões com os ministros da Defesa, Agustín Rossi, e das Relações Exteriores, Hector Timerman.

A decisão foi tomada após as revelações do ex-técnico terceirizado da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), Edward Snowden, de que o governo norte-americano acessou comunicações telefônicas e eletrônicas para espionar cidadãos de seu próprio país e de vários países da Europa e da América Latina.

Documentos sigilosos divulgados por Snowden por meio da imprensa indicam que a presidenta Dilma Rousseff e a Petrobras teriam sido monitoradas pelos programas de vigilância dos EUA. “Achamos que essa questão de espionagem, que teve como epicentro o Brasil, mas que também repercutiu em outros países da América Latina merece uma tentativa de encontrar uma resposta regional”, disse o ministro argentino da Defesa, em entrevista, após o encontro com Amorim.

Segundo Amorim, Brasil e Argentina “são dois países com grande capacidade de produção de software”. No entanto, advertiu que é preciso investir para manter os especialistas da área trabalhando para seus governos, evitando uma fuga de cérebros. “Queremos mantê-los em nossos países para criar softwares e estruturas físicas que nos permitam melhor proteger nossas informações sensíveis”, disse Amorim.

Este ano, o Ministério da Defesa tem um orçamento de R$ 90 milhões para o Centro de Defesa da Cibernética, mas, segundo Amorim, depois das denúncias de espionagem eletrônica, está sendo feita uma “avaliação para a implementação de um programa imediato”, cujos custos ele ainda não pode revelar. As informações são da Agência Brasil.

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