Cinthya Nunes é jornalista, advogada e professora universitária
Cinthya Nunes é jornalista, advogada e professora universitária

Acabei de completar mais um ano de vida no último dia 28. Pisciana, sem a menor noção de ascendente ou mesmo do que quer que isso signifique. No entanto, gosto de pensar que meu signo está ligado à água e que ser de Peixes, um signo duplo, possa talvez explicar algumas dualidades minhas. No fim das contas, realmente, não entendo é coisa alguma de astrologia, até porque nem acredito nisso.

Seja como for, sempre gostei de fazer aniversários. No passado, um pouco mais do que agora, já que cada novo ano traz um peso da idade que avança, roubando o status da juventude que ainda sinto em meu coração, mas que vai se esquivando do espelho. Complicado essa coisa do tempo ter que passar… O fato é que é bom comemorar mais um ano de vida e tudo o que isso envolve.

Por mais que seja um dia como qualquer outro, é muito gostoso receber mensagens e abraços carinhosos. Ainda que haja aqueles que são meramente protocolares, a gente sente que há outros que transmitem boas energias, que vêm repletos de bons desejos! Momentos assim enchem meu coração de alegria e novamente me dou conta da dádiva que é ter uma família e amigos queridos.

Quando eu era criança minha mãe fazia com que eu e minhas irmãs acordássemos bem cedo no dia dos aniversários dos pais dela. Do mesmo modo, quando era o nosso, eles ligavam na primeira hora do dia. Na época eu me ressentia de perder horas de sono para fazer algo que eu poderia fazer algumas horas mais tarde. Apenas recentemente fui capaz de compreender as razões pelas quais os parabéns podem ser muito melhores no início do dia, quase como uma prova de que o dia todo pertence ao aniversariante.

Recebo muitos parabéns por conta das redes sociais e é uma delícia ler as mensagens, todas as quase quatrocentas recebidas. Bom sentir as vibrações de quem dispensou alguns minutos do seu dia para me enviar algumas palavras de afeto. São tão valiosas como presentes. São um tipo especial de presente, daqueles que não se compra, somente se conquista.

Aprendi, entretanto, que é preciso ter também a mesma generosidade com os demais. Assim, tenho o cuidado de anotar datas e enviar as minhas felicitações, ao vivo, pelo telefone e pelas redes sociais, conforme a distância que eu esteja dos aniversariantes. Há uma teia que é preciso cultivar e alimentar. A generosidade das palavras dirigidas aos outros é um exercício constante, do qual não se pode descuidar, pois grosserias o mundo já tem em demasia.

A cada novo ano de vida que completo busco fazer uma análise afetiva do que se passou. Penso nos amigos que conquistei, nas amizades que estreitei e nas pessoas das quais me afastei, ainda que inadvertidamente. Volto meu olhar para o quanto meu apego se voltou ao que realmente importa e o quanto de tempo desperdicei com o que não tem qualquer valor. Se o saldo de tudo isso for positivo, foi um ano bem vivido, mesmo com todas as perdas das quais não pude desviar.

Especificamente nesse ano muita coisa aconteceu: tenho mais um gato, comecei mais um emprego, fiz novos amigos, estudei coisas legais, comecei aulas de gaita, viajei com as pessoas que amo e, entre outras coisas, descobri que serei tia novamente. Por outro lado, chorei a partida de entes queridos, inclusive de meu cachorrinho, após 16 anos de amizade. Briguei com quem não devia, e brigaram comigo sem razão. Desejei coisas tolas e negligenciei algumas coisas importantes. Ainda assim, ao passar a régua, valeu a pena.

Não sei quantos aniversários poderei comemorar, já que não é possível prever a extensão da existência humana, porém eu me recuso a ser como as pessoas que odeiam comemorar o dia em que nasceram. Só o nascimento, por si só, é uma aventura de vitoriosos. De alguma forma, escolhemos vir a esse mundo e pelo tempo que estivermos nele, comemorar nossa chegada é sinal de agradecimento pelo dom da vida.

Eu desejo felizes aniversários, abraços apertados, beijos sinceros e a companhia das pessoas amadas a cada um de vocês. Nos seus dias especiais, sintam-se abraçados pelo Universo, comemorando o sopro que nos insufla a vida, porque um dia, sem mais nem menos, o vento do tempo haverá de apagar nossas velinhas. Nesse dia, espero, a festa possa começar do lado de lá do horizonte…

Outras notícias

COMPARTILHAR