2016 foi um ano considerado violento em Araras. Ao todo, foram 15 pessoas assassinadas, mais que o dobro do ano anterior, de acordo com levantamento realizado pela reportagem do Opinião Jornal.

Dados divulgados ontem (25) pela Secretaria Segurança Pública do Estado de São Paulo, no entanto, apontam 14 vítimas na cidade no ano passado – a divergência estatística estaria relacionada a um caso que ocorreu em junho e foi registrado pela Polícia Civil, inicialmente, como tentativa de homicídio, mas o rapaz acabou morrendo quatro dias após ter sido baleado.

Um dos homicídios que mais chamou a atenção foi o do GM Paulo Educardo da Silva em uma loja de utilidades no José Ometto
Um dos homicídios que mais chamou a atenção foi o do GM Paulo Eduardo da Silva em uma loja de utilidades no José Ometto

Um ano atípico, segundo autoridades policiais, até mesmo no que diz respeito à frequência dos casos. A primeira ocorrência foi registrada apenas no fim de abril; em maio, foram cinco vítimas – um marco que tornou o mês um dos mais sangrentos dos últimos anos.

Entre os casos que causaram alvoroço na cidade no ano passado estão o assassinato de dois guardas municipais e a morte de um jovem cabeleireiro, que ocorreu no mesmo dia que a de um dos gms.

“Tivemos realmente um ano atípico em Araras. Entre os homicídios, tivemos um foco que foi a questão dos guardas assassinados e pessoas envolvidas com o crime mortas, além de mortes passionais e as decorrentes das típicas brigas em bar”, disse o capitão Helington Ilgges da Silva, comandante da Polícia Militar de Araras.

O então secretário municipal de Segurança Pública e Defesa Civil em Araras em 2016, João Tranquillo Beraldo, também falou a respeito das estatísticas. “Esses crimes são muito difíceis de evitar, já que, em sua maioria, estão relacionados a acerto de contas entre quadrilha, brigas em bar e motivos passionais, o que fez com que os números do ano passado excedessem os anteriores”, conta o ex-secretário. O número vinha apresentando queda desde 2012, quando, de acordo com dados disponíveis no site da SSP, houve 14 casos em Araras. Em 2013, foram 13 ocorrências e, em 2014, apenas quatro.

“Um crime preocupante, o latrocínio (roubo seguido de morte), não é registrado em Araras há anos e isso é bom para o município”, observou Beraldo.

O capitão da PM reforça que as forças de segurança estão trabalhando para reduzir as mortes violentas em Araras. “Infelizmente já tivemos um homicídio este ano, mas completo dizendo que 2016 foi atípico. Araras não tem a característica do homicídio elevado”, encerrou.

 

Maioria dos crimes foi esclarecida

Apesar do número considerado elevado pelas próprias forças de segurança, os homicídios foram investigados e a grande maioria dos casos, esclarecida pela Polícia Civil.

“Esclarecemos 90% dos homicídios, isso é uma média muito alta para cidades com população similar a de Araras”, disse Fernando Simoneto, chefe dos investigadores.

No mesmo levantamento, a SSP também divulgou o total de tentativas de homicídios registradas em 2016. Foram 14 casos, três a menos que no ano anterior.

 

Homicídios em 2016

 

ABRIL

 Geraldo Ribeiro da Silva

O primeiro homicídio de 2016 foi registrado no dia 23 de abril e vitimou, Geraldo Ribeiro da Silva, 38. O homem estava preso na Cadeia Pública de Pirassununga, mas morreu na Santa Casa do próprio município. Geraldo havia sido preso por tráfico de drogas dois dias antes em Araras e, durante depoimento, alegou que havia sido agredido pelos guardas municipais de Araras, que atenderam a ocorrência. Mais tarde, um dos guardas envolvidos na ocorrência acabou sendo preso pelo assassinato.

 

MAIO

Cleyton Rogério

O primeiro homicídio do mês mais violento do ano foi de Cleyton Rogério Moura Rodrigues, que foi encontrado na sarjeta da avenida Lourenço Batistela, José Ometto. Na época, guardas municipais estavam nas proximidades quando ouviram disparos de arma de fogo. Eles foram ao local e encontraram a vítima caída e já sem vida.  A Polícia Civil esteve também no local e encontrou ao lado do corpo 12 cartuchos deflagrados de pistola, aparentando ser de calibre .45.

 

Rafael Quintiliano

O segundo homicídio foi de Rafael Augusto da Silva Quintiliano, de 26, assassinato por golpes de faca da região do abdômen e do peito. Na época, um rapaz de 26 anos confessou o crime e foi preso em flagrante, alegando que o homicídio aconteceu em legítima defesa. De acordo com ele, a vítima o teria ameaçado de morte momentos antes do crime. O assassinato aconteceu na rua Antônio Corte, no Parque das Árvores.

 

Jairo Armando (guarda municipal)

Já o terceiro crime foi o de maior repercussão na cidade, que foi o assassinato do guarda municipal Jairo Armando Cristofoletto, que morreu em frente a sua casa no José Ometto 2. Segundo a Policia Militar, dois homens em uma Honda Biz de cor preta chegaram ao local e efetuaram 13 disparos de arma de fogo contra o guarda, que morreu na hora após levar 11 tiros. O guarda não estava de serviço no momento do crime.

 

Renato Ferreira

O assassinato do adolescente Renato Ferreira Antônio Júnior, 17, vítima de facadas, foi o quarto do mês. O crime aconteceu na avenida José Pavan, ao lado do Parque Ecológico e Cultural Gilberto Rüegger Ometto. O assassinato aconteceu durante a noite e a vítima ainda foi socorrida e levada ao Hospital São Luiz, ainda com vida, mas minutos após dar entrada não resistiu ao ferimento.

 

José Carlos

José Carlos, 35, foi encontrado morto por disparos de arma de fogo na rua Cisne, no Narciso Gomes. Os disparos foram feitos no rosto e ninguém testemunhou o crime na época, apenas vizinhos ouviram os disparos.

 

 JUNHO

 

Cleyton Daniel

O sétimo homicídio do ano foi a morte de Cleyton Daniel de Oliveira Lema, que foi encontrado caído na avenida Presidente Castelo Branco, Narciso Gomes. Conforme a Polícia Civil, Cleyton não foi baleado no mesmo ponto em que seu corpo foi encontrado. Na época, uma testemunha que estava com a vítima e outro rapaz na viela que liga a rua Arara à avenida Presidente Juscelino Kubitscheck disse que um homem  com capuz cobrindo a cabeça chegou a pé e sacou o revólver, fazendo disparos contra Cleyton. O autor dos disparos teria fugido em seguida em um carro. Cleyton ainda conseguiu correr por alguns metros, mas acabou caindo na avenida.

 

Roni de Oliveira

O oitavo assassinato no ano foi de Roni Leonardo de Oliveira, que morreu quatro dias após ter sido vítima de disparos de arma de fogo na saída de uma casa de shows, localizada na zona leste. A vítima se dirigia ao estacionamento com sua companheira quando foi surpreendida por um homem que usava um capuz e disparou contra ela. A Polícia Civil encontrou no local seis cápsulas deflagradas e dois projéteis de calibre .380.

 

 JULHO

 

Maraysa Daiane

O homicídio de julho foi o 9º e o primeiro de uma mulher. O corpo de Maraysa Daiane Ignácio Carneiro foi achado em um canavial nas proximidades da represa Água Boa, entre Araras e Rio Claro.  De acordo com informações da Polícia Civil de Araras, a mulher foi achada com escoriações pelo corpo, além de uma “significativa lesão na cabeça”, que apontavam que teria entrado em luta corporal com o assassino antes de sofrer o provável golpe mortal na cabeça. Durante as investigações, a arma do crime foi encontrada: uma chave de roda.

 

 SETEMBRO

 

Paulo Eduardo da Silva (guarda municipal)

O guarda municipal Paulo Eduardo da Silva, 35, foi morto a tiros em um comércio no José Ometto 2, durante o final de semana. Duzão, como era conhecido, foi morto com cerca de 10 tiros, inclusive no rosto.

 

Saulo Rocha de Faria Silva

Horas após a morte do guarda municipal, foi registrado o assassinato do cabeleireiro Saulo Rocha de Faria Silva, 26, também vítima de disparos de arma de fogo em seu próprio estabelecimento comercial. Os dois fatos tiveram um intervalo de apenas 4 horas e aconteceram na mesma avenida – a Presidente Vargas.

 

 OUTUBRO

 

Luís Antônio da Silva Conceição

Luís Antônio da Silva Conceição foi assassinado dentro de um bar no Jardim Morumbi, zona leste. O homem foi morto após receber diversos golpes de faca nas costas. Segundo depoimentos da época, a vítima estava no estabelecimento quando um homem desconhecido entrou no local com uma faca na mão e golpeou diversas vezes Luís, que não resistiu e acabou morrendo ainda no local.

 

Vilmar Fernandes

Vilmar Fernandes Pedrosa, 29, foi assassinado após levar uma facada no peito. O crime aconteceu no Parque das Árvores, zona norte. Vilmar chegou a ser socorrido e levado para o Hospital São Luiz, mas não resistiu e acabou falecendo quase duas horas após o crime.

 

NOVEMBRO

 

Erica de Queiroz e Vanderlei Ribeiro

Um duplo homicídio abalou a cidade em novembro. Erica de Queiroz, 38, e Vanderlei Ribeiro Cândido, 48, foram assassinados a tiros na Fazenda Montevideo, na zona rural.  A dupla trabalhava na fazenda.

Dois dias depois, o marido de Erica acabou se entregando e confessando o crime. As vítimas sofreram diversos disparos de pistola calibre 765 ou 32.

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