Teatro, dança e circo se fundem para contar a relação do homem com o meio em vários momentos da sua evolução. O Animal na Sala, da Companhia Linhas Aéreas, é um espetáculo de dança-teatro que apresenta a evolução humana sob uma leitura crítica e ao mesmo tempo pincelada por ironia e humor. O primitivo e o civilizado, presentes na essência do homem, são contrastados em diversas situações envolvendo poder, cooperação, conquistas e superação. O espetáculo acontece na próxima sexta-feira, dia 24, às 21 horas no Teatro Estadual de Araras. Os ingressos custam R$ 10 a inteira e R$ 5 a meia-entrada.

A cenografia é de Renato Bolelli Rebouças (Grupo XIX). No elenco, Ziza Brisola, Patrícia Rizzi e Natália Presser, ex-integrante do Cirque du Soleil. A Cia. Linhas Aéreas faz um percurso por várias etapas da evolução. Em um primeiro momento, retrata os ancestrais símios, o homem primitivo, a caça, agricultura, a pesca, rituais. O desenvolvimento da razão – marcado por alusões a O Pensador, de Rodin – faz a transição para a civilização e para a segunda parte do espetáculo. É onde surge o começo da civilização e a faceta urbana do homem, em meio a máquinas, trânsito caótico, guerras, violência, medo, solidão e encarceramento. A trilha, composta por Claudia Dorei, mescla uma base contemporânea a sons “primitivos” – flautas, água, percussão, cantos tribais.

Os intérpretes-criadores da Companhia Linhas Aéreas são Natália Presser, que trabalhou por três anos (entre 2006 e 2009) como trapezista e atriz corporal no Cirque du Soleil, em turnês por Austrália, Japão e Europa, Ziza Brisola, diretora e uma das fundadoras da Companhia, e Patrícia Rizzi, artista colaboradora do grupo desde 2005. Neste espetáculo, o grupo tem como diretora convidada Renata Melo, que tem um reconhecido trabalho em pesquisa de linguagens envolvendo a dança em diferentes contextos, especialmente com o teatro.

A construção do espetáculo foi feita de forma colaborativa entre as intérpretes, a diretora e Paulo Rogério Lopes, encarregado de construir a dramaturgia para amarrar todas essas idéias. A criação partiu de um extenso levantamento de referências nas artes visuais, na literatura e no cinema. Entre elas, obras do escritor Franz Kafka, do cineasta Jean-Jaques Annaud e do artista mineiro Frederico Câmara.

Sobre o espetáculo, a diretora Renata Melo considera: “O homem constrói suas próprias jaulas, se fez prisioneiro da civilização. Chegamos a um ponto em que não dá pra voltar atrás. E a idéia não é que o primitivo seja melhor. Claro que há uma crítica ao que se diz civilizado, mas a intenção é propor uma reflexão sobre o tema”.

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