Após mais de 140 dias de paralisação, médicos peritos do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) retornaram ontem, segunda-feira, dia 25, ao trabalho.  Porém o retorno não foi completo, pois a categoria assegura que manterá o estado de greve retomando apenas os atendimentos considerados essenciais. “Voltamos para fazer as perícias iniciais. Ou seja, as pessoas que ficaram doentes ou se acidentaram neste período de greve”, disse Fábio Armando Souza Frias – delegado da (ANMP) Associação Nacional dos Médicos Peritos de Piracicaba, em entrevista ao telejornal “Opinião da Cidade” na noite de ontem.INSS

Atendimentos para renovação de benefícios ou para retornar ao trabalho após licença não devem ser feitas pelos médicos. Novas paralisações não estão descartadas. Segundo a categoria, são mais de 2 milhões de segurados que deixaram de ser atendidos desde 4 de setembro, quando a greve começou.

“Até o momento mais de 2 milhões de atendimentos deixaram de ser feitos. A gente, de fato, espera que o Governo nos receba e faça algum acordo para não haver novas paralisações”, completou Frias.

A segurada Adriana de Oliveira Costa está sem receber o pagamento há mais de 4 meses e seu último dia trabalhado foi dia 12 de setembro do ano passado. “As minhas contas estão todas atrasadas, tenho medicamentos para comprar e não consigo, afinal, estou 4 meses sem receber. Uso um remédio controlado, fiz inclusive um orçamento e ele está por volta de R$ 400,00 e a rede pública não fornece”, comentou.

A operadora de caixa ainda ressaltou que fez a cirurgia bilateral da hérnia e ainda não está em condições de voltar ao trabalho. “Minha cirurgia é recente, não tenho condições de voltar ao batente agora, pois acabou ofendendo o nervo de minha perna e agora estou esperando para ver o que resolve”, completou.

As reivindicações são de aumento salarial de 27,5%, redução da carga horária de 40 horas para 30 semanais sem perda salarial, recomposição do quadro de servidores e o fim da terceirização da perícia médica. Segundo a ANMP, as negociações com o governo estão paralisadas.

Na última semana, o Ministério do Planejamento afirmou, por meio de nota, que o governo apresentou em ofício enviado à ANMP no dia 8 de dezembro, proposta que contempla a maioria dos pontos exigidos na mesa de negociação, exceto a redução da jornada de trabalho sem desconto no salário.

Por conta das condições de trabalho, a nota oficial da ANMP explica, ainda, que em cinco anos quase 3 mil peritos abandonaram a carreira, em uma taxa de dois peritos pedindo demissão a cada dia útil.

Além disso, o governo federal gastaria R$ 125 bilhões em benefícios, metade deles sem perícia médica. Ou seja, cerca de R$ 63 bilhões seriam dados pelo INSS para pessoas sem a comprovação da necessidade de benefícios como auxílio-doença

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