Assembleia na manhã em frente do Ginásio de Esportes

O Sindsepa (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Araras) só foi notificado às 11h30 da manhã desta quinta-feira, dia 26, pelo Poder Judiciário da decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo determinando que 70% dos servidores mantenham-se trabalhando normalmente durante a greve.

Durante a assembleia realizada momentos antes em frente ao Ginásio de Esportes “Nelson Rüegger”, às 8 horas, mais funcionários aderiram a paralização da categoria e da passeata pelas principais ruas da cidade.

De acordo com o presidente do Sindsepa, José Raul dos Santos, a categoria vai cumprir a determinação. “Queremos resolver esse problema e já protocolamos ofício para solicitar uma reunião com o objetivo de resolvermos o impasse da volta de uma parte dos servidores para seus postos, mas não tivemos resposta”, ressaltou.

Pelas informações do ofício, na quarta-feira a entidade já havia solicitado um encontro em caráter urgente para “tratar da manutenção dos serviços essenciais”, porém afirmaram não ter retorno da Prefeitura. “Cumprimos integralmente a decisão da Justiça e continuamos abertos ao diálogo”, completou.

Entenda

Manifestantes em passeata

Na noite desta quarta-feira, dia 25, a Prefeitura de Araras conseguiu a liminar por decisão do vice-presidente do TJ, Eros Piceli.  “Forçoso é reconhecer que há nos autos, ao menos em princípio, demonstração de dano irreparável aos munícipes, em especial a saúde pública, em razão da epidemia de dengue, ficando justificada a concessão da medida liminar, ao menos em parte”, traz o processo.

Na ação, o Governo solicitou o retorno de 80% dos trabalhadores para manter a integralidade dos serviços essenciais, além de pedir o pagamento de multa diária de R$ 100 mil no descumprimento da decisão.

O prefeito de Araras, Nelson Dimas Brambilla (PT – Partido dos Trabalhadores), reafirmou na última quarta-feira, após a decisão do TJ, o respeito ao direito de greve dos servidores, mas dentro da legalidade e sem penalizar a população. “Greve é um direito constitucional, mas precisa ser dentro da lei e, por mais que nós tenhamos extremo respeito pelo funcionalismo, não podemos perder o foco no atendimento a uma população de quase 130 mil habitantes, em vários serviços, especialmente os essenciais”, afirmou.

Balanço

Manifestantes em passeata

A Secretaria Municipal de Assuntos Jurídicos divulgou um balanço no final da tarde de ontem, dia 26, em que diverge do que o Sindsepa afirma. Segundo a Prefeitura, os serviços à população ainda estavam significativamente afetados pela greve dos servidores públicos municipais. De acordo com o advogado Sérgio Colletti Pereira do Nascimento, titular do Jurídico da Prefeitura, as paralisações alcançaram ao longo desta quinta-feira mais de 60% da Educação, 60% da Saúde, 55% dos transportes coletivos e mais de 80% da limpeza urbana – coleta de lixo domiciliar. “Recebemos os dados do chefe de Gabinete Léo Gurnhak, que passou o dia em contato direto com os departamentos e chegou a registrar a situação em Boletins de Ocorrência na Polícia Civil”, disse ele.

Neste último setor, o da limpeza pública, conforme dados repassados pela secretária Sandra Milaré, num dia normal seriam disponibilizadas para a coleta de lixo quatro equipes pela manhã e três à tarde. “No entanto, conseguimos montar uma equipe durante a manhã e outra adaptada à tarde, dificultando bastante a coleta”, afirmou ela, pedindo a compreensão da população. “Estamos tentando fazer o possível com o que temos”, reiterou.

“O cumprimento da liminar teria que ser imediato para assegurar o atendimento às necessidades dos cidadãos. Este é o objetivo da mobilização da Prefeitura na Justiça”, comentou Nascimento.

A orientação da administração é para que a população continue procurando atendimento em suas unidades – de saúde, educação – onde a direção poderá avaliar, no momento, que condições tem de atendimento.


 

Assembleia

Assembleia na Praça Barão no final da tarde de ontem

 

No final da tarde de ontem houve uma nova assembleia na qual os servidores votaram pela manutenção da greve e se mostraram indignados com a postura do Governo de Araras em ir a Justiça para obrigar que eles voltassem aos seus postos de trabalho.

Comentava-se pelos bastidores políticos que representantes do Sindsepa com o jurídico da entidade devem ir para São Paulo hoje com o objetivo de reverter a liminar, porém a reportagem do Opinião Jornal não conseguiu reverter a decisão até o fechamento desta edição.

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