O jornal Folha de São Paulo divulgou esta semana detalhes das suspeitas que recaem sobre o padre Pedro Leandro Ricardo, reitor da Basílica de Santo Antônio, em Americana, e o bispo da Diocese de Limeira, dom Vilson Dias de Oliveira. O padre foi suspenso por tempo indeterminado de suas funções eclesiásticas sob suspeita, de acordo com a Folha, de ter assediado por anos rapazes menores de idade.

O decreto foi publicado no domingo (27) por dom Vilson. O afastamento vem na esteira de uma investigação do Ministério Público de São Paulo que mira não só o padre Leandro Ricardo, mas o próprio bispo. As investigações estão em andamento, mas em sigilo.

Ainda de acordo com reportagem da Folha, que conversou com quatro pessoas citadas no documento, é o padre Leandro que tem maior protagonismo na denúncia feita de forma anônima e que embasou a abertura de investigação sob sigilo judicial.

Elas citam cinco garotos que teriam sido alvo de Leandro em paróquias por que passou — entre avanços que não prosperaram e casos consentidos. O padre só foi afastado do cargo após a Folha questionar a diocese sobre o inquérito em andamento. Antes da suspensão, o padre já havia pedido para sair alegando “momentos de estresse muito grande” que afetaram “suas plenas capacidades”.

Contra dom Vilson pairam suspeitas de acobertamento da ação do clérigo e questionamentos sobre seu patrimônio — a denúncia cita dez imóveis. Procurados, os dois negam qualquer malfeito.

Segundo a Folha, o caso envolve promotores de Americana, Limeira e Araras. Tudo começou a partir de uma carta anônima que chegou ao gabinete da deputada estadual Leci Brandão (PC do B) e foi encaminhada para o procurador-geral paulista, que encaminhou para as comarcas de origem das denúncias.

O jornal paulistano também afirma que Dom Vilson, na carta enviada por denunciantes à Cúria Romana, é acusado de ser complacente com Leandro e remover padres que não estiverem dispostos a compactuar com seus pedidos de dinheiro para causas próprias. Uma carta aberta de fiéis insatisfeitos com o rumo da diocese circulou nos últimos dias, dizendo que “vossa senhoria [Vilson] permitiu a entrada [de novos presbíteros] que já foram dispensados de outros seminários por problemas de comportamento moral”.

 

Acusações são falsas, diz advogado à Folha

Após as denúncias, padre Leandro foi suspenso “para dar continuidade ao processo de investigação”, segundo o advogado da Diocese de Limeira, Virgílio Ribeiro, à Folha de São Paulo.

O processo está sob sigilo e corre “há algum tempo” internamente, afirma. “O bispo de Limeira jamais pactuou ou pactuaria com qualquer ato que confronta as leis que regem a Igreja”, afirma na reportagem. Ribeiro destaca que a diocese possui hoje “mais de 110 padres e que, num rol de tantos padres, há descontentamentos, mas uma suposição temerária de um padre que afirma ter sofrido extorsão não merece guarida”.

Questionado pela Folha sobre os bens de dom Vilson, o advogado disse que estão declarados no Imposto de Renda — sem responder se ele realmente tem dez imóveis. “Uma simples matemática”, diz, “mostraria que seu patrimônio é fruto do seu trabalho junto à Igreja”. Bispo há mais de uma década, ele não tem gastos com alimentação e moradia — e já possuía imóveis anteriormente, afirma seu defensor.

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