Plínio Montagner é pedagogo, professor aposentado e colaborador do Opinião Jornal
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Nomes e cognomes

 

Nomes e apelidos podem ser motivos de aborrecimentos na vida de uma pessoa. Quem não curtiu o nome que recebera dos pais vai carregar essa desilusão pela vida afora. Então um cognome será bem-vindo, contando que não lhe traga mais problemas.

Durante a imigração europeia os cartórios registravam os nomes seguindo rigorosamente o desejo dos pais, mesmo que fossem curiosos ou bizarros. Valia o que eles diziam, diziam não, pronunciavam, pois as dificuldades dos idiomas cooperavam para os erros.

Uma amiga cujo pai era dono de Cartório, passou-me alguns: Joaquim Estradas de Ferro, Um Dois Três de Oliveira Quatro, João Passos Dias Cansado, Remijo Pinto da Fonseca, Esparadrapo de Sá Cunha, Janeiro Fevereiro de Março, e outros, também bizarros.

O saudoso professor e advogado Antonio Henrique Cocenza, natural de Cristina, MG, dizia que em sua cidade natal havia um fazendeiro apaixonado por livros. Quando ele casou teve quatro filhos e uma filha e colocou os nomes na seguinte ordem: Preâmbulo, Prólogo, Prefácio, Epílogo. E por fim, a menina que não estava nos planos do casal: Errata…

Na modernidade, Néscio, por exemplo, um nome inocente e em moda, é sinônimo de pessoa não muito bem educada.

Em Piracicaba é tradição na Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz)/USP os alunos veteranos colocarem apelidos nos calouros. São cognomes que os acompanham até o final do curso, senão até depois de formados. Com certeza são apelidos irônicos e peculiares ao tipo físico e à origem do “bicho”…

Em verdade um nome pode tanto ajudar como atrapalhar alguém no curso da vida. Porém, quem tem uma vida proba e se destaca em qualquer campo do conhecimento, seu nome de batismo, desastroso ou bonito, não vai abalar seu reconhecimento e respeito. “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”, como os versos de Geraldo Vandré. É ela que inscreve seu nome na história, seja para o bem, seja para o mal.

A fonte da maioria dos nomes de nossa língua procede de santos, e outras em homenagem a pessoas importantes ou famosas, e outras a ascendentes familiares.

Há de se considerar a diferença entre pessoa famosa e pessoa importante. As famosas geralmente não são importantes para nós, enquanto nossos pais, por exemplo, não sendo famosos, são muito importantes.

Outra opção de atribuir nomes é pela união das sílabas iniciais de outros nomes, geralmente dos pais. Exemplo: Roberto e Vanda, que gera Robervanda.

Muitos nomes o tempo deixou-os para trás: Petronilha, Hércules, Ermengarda, Venância, Encarnação, Risoleta, Eudóxia, Anacleto, Esperança, Malvina, Piedade, porém alguns estão emergindo – e são bem-vindos, como Miguel, Antônio, Valentina, Joaquim, Clara, Anita, Joana, Felipe, Pedro, Frederico e outros.

Assim como o conceito da beleza, todos os nomes são bonitos para determinada época.

Vinicius de Morais disse que a genialidade do apelido é virtude brasileira. É inigualável nossa espontaneidade na caracterização de tipos por meio de apelidos. Basta um mínimo de peculiaridade para uma pessoa não passar despercebida.

“Risadinha”, por exemplo, é o indivíduo que conversa dando a impressão de estar sorrindo. “Nó Cego” e “Fio Desencapado” são atribuídos às pessoas difíceis de lidar, que dão nó até embaixo d’água. “Bagre Ensaboado” é aquele impossível de ser enganado. O que fala baixo é “Pilha Fraca”. Quem tem cabeça enorme, rosto vermelho e se chama José, ganha este: “Zé Melancia”. Pessoa curiosa que tem o hábito de abrir e fechar a janela para olhar quem está passando é “Espia”, ou este: “Relógio Cuco”.

E qual seria o nosso apelido?

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