A Polícia Civil de Araras finalizou o inquérito em que indicia nove pessoas por formação de quadrilha, estelionato e apropriação indébita. Os envolvidos são acusados de integrarem uma quadrilha que aplicou golpes em empresários de Araras e até Campinas e Piracicaba. A polícia pediu a prisão preventiva dos acusados.

A reportagem do Opinião Jornal obteve, com exclusividade, o relatório final do inquérito que contêm detalhes de como percorreu a investigação e até mesmo de como era aplicado o golpe pelos acusados.

No caso, que gerou repercussão regional, os golpistas, liderados por Francisco Marcos Marque, um homem que se apresentava como dono da Tear Brasil, adquiriam vários produtos em diferentes lojas e, na hora de pagar, simplesmente desapareceram. Aproximadamente 18 inquéritos foram instaurados.

Em um trecho do relatório, a polícia explica que as vítimas eram pagas com cártulas e quando fizeram o depósito bancário teve o documento devolvido por insuficiência de fundos, e no momento em que iam procurar a empresa simplesmente deparavam que ela não existia, embora houvesse até fachada localizada no Jardim Cândida.

No relatório, é detalhado que a “empresa possuía algumas pessoas que estariam supostamente trabalhando, contudo posteriormente soube-se que tais pessoas tratavam-se de parte da quadrilha de Francisco. Ainda segundo o relatório, Francisco fez diversas compras na cidade de Araras bem como na região, compras estas que eram pagas com cártulas bancárias pré-datadas para o mês de julho de 2015 em diante, visto que estava tudo bem programado para que Francisco saísse da cidade no mês de julho de 2015.

Ainda segundo a Polícia Civil, só foi possível dar sequência nas investigações já que as vítimas reconheceram, por fotografias, Francisco. Ainda de acordo com informações, oitos dos envolvidos na quadrilha são de Rio Claro, exceto Francisco que é o do Estado do Ceará.

Segundo o relatório, uma das vítimas ouvidas informou que “o primeiro contato foi feito via telefone, com uma mulher que se dizia Mariana, e que a mesma fechou negócio por telefone, em nome da empresa Tear Brasil. A vítima afirmou que consultou a empresa, e como a mesma estava regular não desconfiou de nada, portanto realizou as vendas, sendo que em uma delas a própria vítima foi até o local da entrega, ou seja, a empresa Tear Brasil e conheceu Francisco, motivo pelo qual pode reconhecê-lo posteriormente (auto de reconhecimento fotográfico), sendo que quando foi até a empresa fazer a entrega foi recepcionada por uma mulher que se apresentou como Isabela, a qual posteriormente em auto de reconhecimento fotográfico a identificou como outro nome”, explica o relatório policial.

“A vítima informou que alguns pagamentos foram acertados com folhas de cheque pré-datadas para o mês de julho, sendo que a vítima respeitou o acordo e esperou para fazer o depósito das referidas cártulas. Passados os dias a vítima afirmou ter feito o depósito da cártula na data prevista e foi surpreendida, quando a mesma voltou por insuficiência de fundos, e por este motivo foi até a empresa Tear Brasil a procura de Francisco e soube que havia sido vítima de estelionato, haja vista que o local onde funcionava a empresa estava vazio e no local conheceu demais vítimas de Francisco e sua quadrilha”, contém o relatório policial.

Além do relatório sobre como eram aplicados os golpes, também foi feito pela polícia um relatório de investigação onde foi confirmado os veículos que eram usados pelos membros da quadrilha, além da qualificação das demais pessoas que auxiliaram Francisco na aplicação dos golpes, explicando que toda mercadoria adquirida por Francisco de forma ilícita já tinha um destino certo, ou seja já havia compradores para cada mercadoria por ele adquirida.

Uma segunda vítima ouvida pela polícia deu declarações “fundamentais”, já que presenciou toda a movimentação, além de ter contato com todos os funcionários da suposta empresa, sendo possível o reconhecimento fotográfico de todos os participantes da quadrilha da Tear Brasil.

A testemunha afirma que seu primo presenciou diversas brigas entre Francisco e sua suposta/namorada Elaine. A mesma vítima ainda informou que presenciou no mês de julho de 2015 grande movimentação de mercadoria saindo da empresa, e soube momentos depois pela polícia que Francisco havia aplicado um golpe na cidade.

Uma carta precatória foi expedida à Delegacia de Polícia de Rio Claro/SP, cidade em que os demais integrantes, exceto Francisco, moram. No documento pedia para os suspeitos fossem formalmente interrogados e indiciados. A carta foi devolvida devidamente cumprida.

Quase todos os suspeitos foram interrogados, exceto Francisco, o chefe da quadrilha que não foi localizado assim como os produtos indevidamente apropriados de forma ilegal. Além de suas duas irmãs que também tiveram que ser indiciadas indiretamente, já que também foi provada a participação das duas nos golpes aplicados.

tear brasil
A empresa localizada no Jardim Cândida servia de fachada para a quadrilha aplicar seus golpes em Araras e também em outras cidades da região

 

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