Aves reabilitadas pelo Centro Pró-Arara foram soltas nesta quarta-feira

Aves acompanhadas pelo Projeto Pró-Arara, realizado pela Prefeitura em parceria com o IBPN (Instituto Brasileiro de Proteção à Natureza), foram soltas na natureza ontem, dia 6, após passarem por processo de readaptação.

Pela primeira vez, entre elas estavam araras e papagaios que passaram por reabilitação no Centro Pró-Arara, que fica no Parque Municipal Fábio da Silva Prado (Lago).

Mantido pela administração municipal, o local recebe aves silvestres, vítimas de maus tratos ou de tráfico, que foram apreendidas pela Polícia Ambiental. Lá, elas recebem tratamento veterinário e passam por um período de reabilitação – algumas precisam reaprender a voar antes de serem soltas.

“Este é um projeto pioneiro, que busca a preservação do meio ambiente. Cuidamos destas aves, que muitas vezes chegam ao Centro com a saúde bem debilitada, e fazemos com que elas sejam reabilitadas para voltar a viver, livres, na natureza. Queremos que os cidadãos se conscientizem da importância na preservação ambiental e dos impactos nocivos do tráfico irregular de animais na natureza, o que é um dos principais motivos para extinção de espécies importantes para o equilíbrio do biosistemas”, disse o prefeito Nelson Dimas Brambilla (PT- Partido dos Trabalhadores), que acompanhou a soltura.

Aves reabilitadas pelo Centro Pró-Arara foram soltas nesta quarta-feira
Aves reabilitadas pelo Centro Pró-Arara foram soltas nesta quarta-feira

O projeto Pró-Arara, que envolve tanto o Centro de Reabilitação quanto a Área de Soltura e Monitoramento, localizada na zona rural, visa reabilitar aves silvestres, apreendidas pela Polícia Ambiental, para sua reintrodução ao habitat natural.

Ao todo, 18 araras-canindé e 50 papagaios foram soltos desta vez, contabilizando também os animais que vieram de outros centros de triagem e reabilitação do Estado e foram encaminhados ao projeto Pró-Arara. A primeira soltura, que aconteceu em janeiro de 2015, envolveu apenas animais que passaram por reabilitação em outras instituições do Estado.

A veterinária e coordenadora do Centro de Reabilitação, Fernanda Senter Magajevski, explica que o tempo de permanência das aves no local depende muito de como elas são encontradas. “Isso depende muito do estado de saúde de cada uma e de como irão se comportar durante todo o processo. Isso varia de ave para ave. Algumas podem se reabilitar facilmente e ficar aqui durante uma semana ou um mês. Outras levam até um ano para serem liberadas à área de soltura e monitoramento”, disse.

No Centro, as aves passam por exames e também por cuidados veterinários, se necessário. A equipe é formada por um veterinário, uma bióloga, três cuidadores, além de auxiliares administrativos.

Depois deste período de tratamento e reabilitação, elas são encaminhadas à Área de Soltura e Monitoramento, que fica na zona rural.

“Temos relatórios pontuais de avistamentos de araras e papagaios em um raio de 40 km no entorno da área de soltura e monitoramento. Além disso, há casais de papagaio que passaram por reabilitação e já se reproduziram na natureza, e outros casais de araras já formados também”, revela Rogério Caldas, presidente do IBPN.

Ele reforça que o objetivo principal do projeto Pró-Arara é justamente este: promover a reprodução das espécies, para que essas jovens aves possam povoar os fragmentos florestais da cidade.

“O projeto Pró-Arara foi aprovado pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado justamente porque Araras possui inúmeros fragmentos de floresta. A proposta é que estas aves soltas possam se acasalar e voltar a povoar esses fragmentos. Desta maneira, iremos contribuir para evitar a extinção, principalmente das arara-canindé, dentre outras aves ameaçadas”, explicou.

Em janeiro do ano passado, 73 aves assistidas pelo Projeto, que passavam por readaptação na Área de Soltura e Monitoramento, foram soltas na natureza – foram 54 papagaios-verdadeiros (Amazona aestiva) e mais 19 araras da espécie canindé.

Pela primeira vez em aproximadamente 100 anos, os fragmentos florestais da zona rural da cidade passaram a ser povoados novamente pelas araras-canindé, que possuem penas azuis e amarelas, além de fileiras de penas faciais pretas e garganta também preta. Elas têm comprimento que varia entre 75 cm e 86 cm e peso entre 995 g a 1380 g. A base de alimentação das aves são frutas e sementes na sua maioria de palmeiras.

“Se alguém avistar estas araras ou papagaios nas ruas deve tratá-los como outra ave qualquer. As araras podem ser maiores, mais bonitas, mas têm que fazer parte do nosso dia a dia assim como as maritacas, por exemplo, que costumam ser vistas em muitos pontos da cidade. Este é um trabalho de educação ambiental. O ideal é não alimentá-las porque isso pode fazer com que elas voltem a ser domesticadas e virem presas fáceis para ser capturadas”, alerta a bióloga do Centro Pró-Arara, Monica Cristina Risso de Brito.

Ela acrescenta que as denúncias sobre maus tratos de animais silvestres devem ser feitas junto à Polícia Militar Ambiental, órgão encarregado para atender estes casos. Em Araras, o telefone da corporação é 3541-4796.

Em caso de dúvida, a população também pode ligar para o Centro Pró-Arara no telefone 3542-3538. (com informações da Secom)

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