Agência de viagens funcionava no Centro da cidade. (Foto: Beto Ribeiro Repórter)

Em entrevista dada à reportagem do Opinião,Maria Fernanda Cabrini Bernal nega as acusações e ressaltou que muitas viagens foram realizadas para a Disney, sendo o último grupo entre os dias 12 e 22 de novembro

A reportagem do Opinião fez contato ontem (26) com a empresária Maria Fernanda Cabrini Bernal, proprietária da Agência Magic Travel, para dar a sua versão sobre o caso em que dezenas de pessoas tiveram a viagem para a Disney, nos EUA, cancelada e até agora as mesmas não tiveram o dinheiro do pacote devolvido por ela.

A matéria sobre o caso publicada pelo Opinião na edição do último sábado (22) conta que Fernanda é proprietária da agência que teria encerrado as atividades em Araras, segundo as vítimas do eventual golpe. Por este motivo, dezenas de pessoas tiveram a viagem para a Disney cancelada, em que alguns destes clientes, inclusive, já haviam pago o pacote contratado e não foram ressarcidos até então. Um cliente, que não quis se identificar, disse à redação que seu prejuízo chega aos R$ 10 mil, contando com valor do pacote e empréstimo feito em seu nome pela proprietária da agência, segundo ele. Boletins de ocorrência foram registrados por clientes na Delegacia de Polícia sobre o caso.

Em sua versão dada à reportagem, Fernanda nega as acusações e ressaltou que muitas viagens foram realizadas para a Disney, sendo o último grupo entre os dias 12 e 22 de novembro. “Infelizmente não tive as condições de honrar o compromisso com o grupo de dezembro, pois minha empresa acabou falindo, devido a problemas de saúde, os quais me deixaram internada no CTI por dez dias. Como trabalhava sozinha, perdi o tempo para compra das passagens do grupo de novembro, porém, mesmo com prejuízo enorme, consegui arcar com as viagens deste referido mês”, explicou. “No entanto, como não aconteceu a viagem de dezembro com o grupo que viajaria para a Disney, todos os outros passageiros rescindiram os contratos de viagens futuras. Reforço que meus advogados, no momento oportuno, tentarão acordo com todos e que de alguns passageiros já consegui devolver o dinheiro”, completou.

Já sobre os empréstimos, Fernanda afirmou que não tem envolvimento algum e que os mesmos teriam sido realizados por uma proprietária de loja de móveis e colchões de Araras junto a uma agência financeira. “Não tenho nada a ver com os empréstimos, uma vez que foram realizados pela Erika Beinotti (proprietária da loja). Não só passageiros da minha agência, mas também familiares meus e até clientes dela tiveram seus nomes envolvidos nestes financiamentos. Ela (Erika) fraudou os documentos deles e como proprietária da loja acabou recebendo todos os valores em sua conta bancária. Inclusive prestei depoimentos na Delegacia de Polícia sobre isso”, disse.

A reportagem entrou em contato com Erika Beinotti sobre o caso e a empresária deu a sua versão. “A Fernanda e eu nos conhecemos há pouco tempo e com o passar dos dias acabamos criando uma amizade. Como eu trabalho com uma agência financeira, ela (Fernanda) me procurou para saber como funcionavam os empréstimos e que ela gostaria de fazer para financiar as passagens de seus clientes e que os mesmos já estavam cientes para pagar os boletos que seriam emitidos. Disse que eram necessários documentos pessoais e que a financiadora entraria em contato para avisá-los se estariam aprovados ou não”, contou Erika. “A partir daí a Fernanda passou a me trazer vários dados pessoais de seus clientes e fomos fazendo os cadastros achando que seriam para o financiamento das passagens. Conforme o dinheiro dos empréstimos caía em minha conta, eu transferia para ela os valores e os carnês. Mas depois descobrimos que não foi nada disso e que tudo não passava de um golpe”, concluiu.

Erika Beinotti mostrou à reportagem boletos e nomes dos clientes da agência de viagens envolvidos nos financiamentos que, segundo ela, foram realizados por Maria Fernanda Cabrini Bernal

Erika disse também que os clientes da proprietária da agência de viagens passaram a procurá-la em sua loja. “Muitos clientes, que inclusive nunca os vi na minha vida e por coincidência eram dela, começaram a vir em minha loja pedindo explicações e mostrei a eles todos os boletos, que inclusive estavam com os endereços da casa da Fernanda. A agência financeira já deu baixa nos contratos e parcelou o valor total para que eu possa fazer o pagamento dos empréstimos, o qual passa dos R$ 50 mil. Ressalto que vou arcar com o prejuízo e não vou permitir que ninguém saia lesado”, afirmou Erika, que aguarda ser intimada para prestar depoimentos na Delegacia de Polícia e dar a sua versão.

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