A situação hídrica em Araras da represa João Ometto Sobrinho (Água Boa) chegou a ser assustadora

Assim como a duração média de uma gestação, o racionamento de água em Araras completa hoje, dia 16, nove meses desde que uma decisão da Prefeitura e do Saema (Serviço de Água, Esgoto e Meio Ambiente), ainda sob a gestão do ex-presidente da autarquia, Carlos Cerri Júnior, foi tomada visando combater a crise hídrica no mês de outubro do ano passado.

Embora o racionamento continue em Araras, nos últimos nove meses ele sofreu algumas mudanças, adaptações e rodízio entre os horários e também os bairros da cidade.

Rodízio #1

Em outubro a primeira estratégia usada pelo Saema foi racionar a água em todos os bairros simultaneamente, das 6 às 18 horas, diariamente. A princípio não houve revezamento de bairros para receber ou ficar sem água.

Rodízio #2

Em dezembro, época em que teoricamente haveria maior incidência de chuvas, juntamente com janeiro, a seca acabou se tornando algo ainda mais sério e a autarquia ararense decidiu mudar o racionamento. A partir de 12 de dezembro o sistema de rodízio era de a cada 12 horas com água, o abastecimento ficava suspenso por 36 horas.

A medida foi justificada, segundo o Saema, pela escassez de chuvas de intensidade suficiente para reposição dos estoques de água bruta das represas do município, que atualmente estão sem condições de fornecer água para a cidade.

Morte dos peixes

Ainda em dezembro milhares de peixes morreram na represa Água Boa, que faz parte do sistema de abastecimento de Araras, após um reservatório ficar aberto e secar. As mortes aconteceram após a Prefeitura abrir uma válvula para liberar a água dessa represa para outra, de onde é feita a captação para abastecer a cidade. Depois do escoamento, que também visava a transposição dos peixes, o local ficou quase seco.

A pouca água que sobrou é de um riacho na propriedade. Os peixes não conseguiram passar por um túnel de cerca de três metros de altura em direção à segunda represa e morreram.

Rodízio #3

Não demorou muito tempo para alguns problemas aparecerem e novamente o rodízio ser mudado. Em janeiro um novo cronograma foi lançado pelo Saema, porém dessa vez sem modificações nos horários, mas sim nas localidades. Na ocasião, a cidade foi dividida em dois setores que revezavam entre si os horários.

“Nas últimas semanas intensificaram-se as reclamações da população de certas regiões da cidade, dando conta de que a água só estava chegando às residências bem mais tarde – 22h, meia-noite, ou até duas horas da madrugada, em alguns casos”, justificou o Saema na época.

O racionamento continua no esquema 12 horas com água por 36 sem água, porém as regiões 1 e 2 da cidade foram

A situação hídrica em Araras da represa João Ometto Sobrinho (Água Boa) chegou a ser assustadora
A situação hídrica em Araras da represa João Ometto Sobrinho (Água Boa) chegou a ser assustadora

alteradas e ambas agora incluem bairros diferentes da divisão original.

 

Novo presidente

Após Cerri ter se desligado do Saema, o prefeito Nelson Dimas Brambilla (PT – Partido dos Trabalhadores) anunciou em março o novo secretário municipal de Planejamento, Gestão e Mobilidade. É o arquiteto Fábio Augusto Franco, que deixa a diretoria da mesma pasta para assumir o cargo deixado – em definitivo – pelo também arquiteto Felipe Dezotti Belotto, nomeado efetivamente pelo prefeito como presidente do Saema.

Captação do rio Mogi

Considerada uma das principais ou mesmo a mais decisiva medida de curto prazo anunciada pela Prefeitura e pelo Saema em janeiro, no Plano de Metas para enfrentamento da crise hídrica, a ampliação da captação de água do rio Mogi Guaçu foi concretizada em março pela autarquia.

A instalação de uma terceira bomba e a reestruturação de todos os sistemas elétricos e hidráulicos, com troca de conexões e outros serviços, foram concluídas e a captação de água subiu de 200 litros por segundo para 350 litros por segundo, volume considerado suficiente para suprir o abastecimento diário de Araras com o racionamento 12hx36h em vigor na época.

Lançamento de Campanha

Economizar 7 milhões de litros de água ao dia e fazer com que a cidade consuma 25 milhões de litros diários, dentro do esquema de racionamento 12hx36h, era o intuito do município. Envolver a sociedade na mudança de hábitos e de cultura em relação à água, visando o uso racional desse precioso recurso. Esses são alguns dos objetivos – a redução do consumo como prioridade – da mobilização social – Use, Não Abuse. Água – nosso grande desafio lançada em março também.

Economizômetro

O Dia Mundial da Água, comemorado no dia 22 de março, foi marcado por ações de conscientização em Araras. A Prefeitura ativou o Economizômetro, atualmente já desinstalado, que visava incentivar a população a utilizar água de forma consciente e mostrar a economia diária feita pelos ararenses. Na ocasião um evento trouxe o show com a Banda CO2 Zero, que, de forma inovadora, utiliza instrumentos movidos a pedaladas para alimentar instrumentos e luzes durante a apresentação.

Reprodução site usenaoabuse.com.br

O Economizômetro, uma espécie de placar digital, foi instalado ao lado da Basílica Nossa Senhora do Patrocínio e mostrava números atualizados sobre o consumo diário de água em Araras e, também, a quantidade em litros que seria economizada diariamente pela população.

Última mudança no racionamento

O racionamento teve sua última mudança em abril. O rodízio foi flexibilizado em relação ao que vinha vigorando de 12hx36h. Em 13 de abril o racionamento foi revezado para uma das duas regiões da cidade, mas 24h por 24h, ou seja, um dia com água e outro sem água. O sistema é valido apenas de segunda a quinta-feira.

Níveis das represas

Atualizados pelo Saema, os números dos níveis das represas ararenses já se mostram bem mais otimistas do que já foram. O Complexo Tambury / Santa Lúcia chegou a marcar 85% de sua capacidade, enquanto o Complexo Hermínio Ometto / Água Boa atingiu os 50%.

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