O racionamento de água será retomado em Araras nesta segunda-feira, dia 13, entretanto flexibilizado em relação ao que vinha vigorando de 12h x 36h. A partir de 13 de abril, o racionamento será revezado para uma das duas regiões da cidade delimitadas anteriormente, mas 24h por 24h, ou seja, um dia com água e outro sem água. Esse sistema valerá apenas de segunda a quinta-feira.

Na chamada região 1, às segundas e quartas não haverá água. Na região 2, a restrição ocorrerá às terças e quintas-feiras. E de sexta-feira a domingo, o abastecimento será normal para as duas regiões, isto é, para toda a cidade.

Segundo registro realizado pelo Saema no último dia 7, a represa Tambury está com o nível de 74% de água

As informações foram divulgadas na manhã de ontem, dia 10, em uma coletiva convocada pelo prefeito Nelson Dimas Brambilla e por Felipe Beloto, presidente do Saema (Serviço de Água, Esgoto e Meio Ambiente de Araras). A reunião foi no Gabinete do prefeito.

O presidente do Saema afirmou que a principal ação no combate à crise hídrica foi a ampliação da captação do rio Mogi Guaçu, uma obra considerada complexa e arriscada. “Esse era o cerne do nosso Plano de Metas. Era complicado, era algo que se pensava em fazer há tempos, mas tinhamos receio, com razão, pois não se sabia como aquele sistema antigo de bombas e rede iria se comportar. Mas nós, com a equipe do Saema, viramos noites e fins de semana, enfrentamos problemas e conseguimos. Elevamos a captação de 200 litros por segundo para 340 litros por segundo e isso nos deu uma condição muito melhor para deixarmos nossas represas se recuperarem. Mas, poderia ter dado totalmente errado e aí as boas chuvas nas represas não teriam tido o mesmo efeito porque nós teríamos sido forçados a usar os reservatórios”, afirmou.

Segundo Beloto, na época em que foi anunciado o racionamento 12h por 36h, todas as quatro represas locais estavam com 12% de seus níveis, sendo que a Água Boa (João Ometto Sobrinho) havia entrado em colapso, secando completamente.

Atualmente, conforme o presidente do Saema, os dois sistemas – Hermínio Ometto/Água Boa e Tambory/Santa Lúcia – estão com 50% de sua capacidade, na média. “Muita gente olha para a Hermínio Ometto visualmente cheia e não entende que ela representa 25% do sistema, que é formado também pela Água Boa, ainda com nível baixo”, acrescenta.

Consumo precisa cair

Beloto explicou que antes do primeiro racionamento ser decretado, em outubro do ano passado, o consumo de água em Araras chegava a ter picos de mais de 60 milhões de litros. “Era um consumo extremamente alto”, relembra.

Com o racionamento 12h por 12h, esse consumo começou a cair, mas apresentou redução mais significativa com a intensificação da medida para 12 horas com água por 36 horas sem água, no início de dezembro. “Aí tivemos as médias em torno dos 33 milhões, 32 milhões de litros, ainda na grande expectativa de como e se viriam as chuvas”, relembrou.

“Foi, aliás, nesse cenário e projetando a continuidade desse quadro grave que nós idealizamos e colocamos na rua a nossa campanha pelo uso racional da água”, relatou, referindo-se à mobilização Use, Não Abuse – Água, Nosso Grande Desafio.

Com chuvas acima da média em fevereiro e março, mais o sucesso do reforço da captação de água do rio Mogi Guaçu e um consumo que mostrou-se já bem diferente, como demonstrado entre os dias 2 e 9 deste mês, quando o abastecimento foi liberado em caráter experimental, Beloto obteve do prefeito Brambilla o sinal verde para tentar o novo sistema de racionamento 24h por 24h. “Nesses dias de abastecimento normal tivemos consumo diário em média de 43 milhões de litros. Ainda está alto e longe do ideal que precisamos atingir em longo prazo – os 25 milhões de litros diários propostos pela campanha – mas é bem menos do que aqueles 63 milhões lá de outubro passado”, ponderou ele.

“Nesse consumo de 43 milhões de litros diários, com o que temos hoje nas represas mais a capacidade elevada do Mogi e com a manutenção desse racionamento revezado temos como atravessar o ano com segurança” avaliou ele.

Beloto, no entanto, alerta: se esse consumo se elevar, o Saema não descarta o retorno ao sistema 12h por 36h para não arriscar os estoques de água locais. “Não teremos o menor problema em intensificar novamente o racionamento, mas esperamos que a população continue contribuindo e olhando sempre para aquele nosso desafio de reduzir o consumo, até lá na frente conseguirmos mudar a cultura e utilizar menos de 30 milhões de litros, quem sabe os 25 milhões propostos no nosso desafio, pois é algo viável e que atenderá as necessidades de água que todos temos”, declarou.

Nova cota mínima

O presidente do Saema afirmou também que espera ver o consumo mais disciplinado por outro fator: a entrada em vigor, no começo deste mês de abril, da nova cota mínima de água em Araras, que era de 18 mil litros a R$ 27,93 e passou a ser de 10 mil litros a R$ 19,70.

“Nós achamos que com a experiência vivenciada pela população, mais a campanha que continua e agora com essa nova estrutura tarifária, as pessoas enfim vão ter atenção com a conta de água e vão consumir com muito mais responsabilidade”, apostou.

O Saema continua executando o Plano de Metas, com a perfuração de oito poços que deve começar ainda este mês, ao custo de R$ 1,3 milhão, a troca de 11 mil hidrômetros para reduzir perdas, a gestão de grandes contratos e a continuidade da campanha Use, Não Abuse, com o desenvolvimento de um concurso escolar e outras ações para redução do consumo de água.

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

*