O Saema (Serviço de Água, Esgoto e Meio Ambiente de Araras) realizou na manhã de ontem, dia 4, a assinatura do contrato com duas empresas vencedoras da licitação para início de obras de desassoreamento das represas da cidade. No evento, que aconteceu na sede da autarquia, no Jardim Cândida, também foram anunciados o cumprimento de outras medidas que integram o Plano de Metas definido pela autarquia no começo de janeiro, e que fazem parte de ações desenvolvidas para enfrentar a crise hídrica que ocorre no município. Devido aos baixos níveis das represas de abastecimento da cidade, desde outubro do ano passado os moradores enfrentam um racionamento, que passou a ficar mais severo em dezembro. Atualmente o esquema funciona em 12 horas com água e 36 horas sem, sendo que a cidade foi dividida em dois setores, com distribuição intercalada.

Conforme informado na coletiva, o trabalho de desassoreamento terá início na represa “Hermínio Ometto” e depois será estendido para os demais reservatórios. Esse processo de limpeza foi considerado no Plano de Metas como medida emergencial, com início imediato. “Nós não vamos ficar esperando por chuva, já que a previsão é que 2015 seja um ano difícil. Por isso, estamos fazendo nossa parte, com o investimento necessário para pelo menos garantir o abastecimento neste ano, adotando todas as medidas necessárias para enfrentar essa situação”, disse o presidente do Saema, Felipe Dezotti Beloto. “Vamos aproveitar esse momento em que as represas nossas estão bem vazias para realizar esse processo de limpeza e retirada de galhos e outros detritos que se acumulam no solo dos reservatórios. Essa é uma medida importante para conservar e aumentar o volume dos locais”, explica.

As propostas do Pregão Eletrônico para as obras foram conhecidas no último dia 2, e o custo do serviço, que era estimado em R$ 793 mil, ficará em R$ 515.875,00. O Saema ainda afirmou que serão utilizados serviços de caminhão basculante traçado, escavadeira hidráulica e trator de esteira, para remoção dos detritos acumulados no fundo das represas. A “Hermínio Ometto”, por exemplo, foi construída há mais de 30 anos. Segundo a Prefeitura, onze empresas disputaram o certame, que foi vencido por duas: sendo a Santa Terra para os trabalhos com o caminhão e a escavadeira, e a Pascotte Serviços de Terraplanagem para o serviço a ser realizado com o trator.

Beloto ainda afirmou que considera esta ação como de “manutenção da barragem. Faz parte das nossas medidas de curto prazo e vamos começar imediatamente”, disse. Foi divulgado também na coletiva de ontem que o Saema estima que a capacidade de armazenamento da Hermínio Ometto é de 2.410.375.000 litros de água. A previsão é de recuperar cerca de 20% da capacidade original do reservatório com o trabalho de desassoreamento. O contrato com as duas empresas determina quatro meses para a conclusão dos serviços. A coletiva também contou com a presença dos representantes das duas empresas licitadas, e da presidente da Câmara Municipal, vereadora Magda Regina Carbonero Celidório (PSDC – Partido Social Democrata Cristão).

Representantes das empresa licitadas com Jacovetti e Beloto, durante coletiva ontem.

 


 

 

Reservatórios estão com 8% da capacidade

Boloto ainda fez um diagnóstico sobre a atual situação hídrica da cidade. Segundo ele, os reservatórios hoje estão com 8% da capacidade atual, realidade considerada preocupante pela administração e pela autarquia. “Todas as medidas que estamos realizando é para garantir pelo menos o abastecimento à população para este ano, mas precisamos ainda da conscientização das pessoas para que economizem no consumo”, afirmou Beloto.

O Saema afirmou que continuam as obras para aumentar a captação do rio Mogi Guaçu. “Queremos aumentar essa captação para deixar as nossas represas fechadas, o que ainda não é possível devido ao consumo alto que ainda temos na cidade”, diz Beloto. Também estão previstas as obras para captar água de uma represa que fica no campus da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) em Araras, nas margens da rodovia Anhangüera (SP-330), até a represa da Usina Santa Lúcia. Na semana passada a universidade solicitou ao Saema informações sobre a questão hídrica da cidade, além de licenças ambientais, e sobre o próprio procedimento no campus, antes de autorizar as obras para captação. “Tudo já está sendo providenciado, e a UFSCar a todo momento se mostrou receptiva em nos ajudar nessa questão”, disse Beloto. A autarquia, desde o ano passado, também começou a transferir água de uma represa da Usina São João, com autorização da empresa, até a “Hermínio Ometto”.

O presidente da autarquia ainda ressaltou que a mudança de data e horário da audiência pública na Câmara Municipal foi para que a população possa participar do evento. Inicialmente, a audiência seria no próximo dia 10, às 10 horas, mas foi transferida, com autorização da ARES-PCJ (Agência Reguladora de Serviços de Saneamento da Bacia dos Rios Piracicaba, Jundiaí e Capivari), para o dia 19 de fevereiro, às 19 horas, no mesmo local. “Sabemos que as pessoas querem participar e, por isso, buscamos transferir o horário da manhã para a noite”, afirma Beloto.

Na audiência serão discutidos os fundamentos da reestruturação tarifária do Saema. Uma das propostas a entrar em vigor é o aumento do valor do metro cúbico (mil litros) de água em Araras, mas também medidas de incentivos para quem economizar na conta. Outro destaque é a redução da cota mínima de 18 mil litros para 10 mil litros, com tarifa menor e desconto de 50% para quem gastar até 5 mil litros/mês. “Ressalto novamente que não queremos arrecadar mais dinheiro com isso, mas sim que a população diminua o consumo. Se isso não acontecer teremos problemas ainda maiores”, ressaltou Beloto. O presidente disse que em Araras o consumo médio de água por dia de um munícipe é de 260 litros, sendo que a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece cerca de 150 litros por pessoa.

O vice-prefeito Carlos Alberto Jacovetti, que assumiu a Prefeitura nesta semana devido a licença médica de 30 dias do prefeito Nelson Dimas Brambilla (PT – Partido dos Trabalhadores), ainda citou na coletiva de ontem o baixo nível pluviométrico que o município tem tido neste ano. “Historicamente, em janeiro temos um índice de 350 mm em Araras, e no primeiro mês deste ano tivemos apenas um índice de 84 mm. E para piorar, está chovendo apenas pequenos setores da cidade. Não tem sido uma chuva que posso chamar de ‘global’, que atinge toda a cidade e, principalmente, as represas”, afirma.


 

Convênio com SOS Mata Atlântica vai reflorestar margens dos demais reservatórios

 Também na coletiva de ontem Beloto anunciou os avanços de um novo convênio com a Ong SOS Mata Atlântica para reflorestamento do entorno das represas Tambury e “Hermínio Ometto”. A mesma entidade já firmou um convênio com o Saema anos atrás para reflorestamento da represa “João Ometto Sobrinho” (Água Boa), pouco antes da inauguração do reservatório.

“A parceria começou com a Água Boa com o plantio de 200 mil mudas e agora vamos dar continuidade nesse processo e realizar também na Tambury e Hermínio Ometto. O objetivo é preservar a qualidade e a vazão e volume das represas”, afirmou o diretor do Departamento de Meio Ambiente (DMA), do Saema, Raul de Barros Winter, também presente no evento. A medida é definida pelo Saema como crucial para aumentar a produção e a preservação de água dos reservatórios.

Serão disponibilizadas 70 mil mudas para cada uma dessas duas represas, para cobrir uma área prevista de 100 metros de reflorestamento. “Essa proteção nas barragens é fundamental. É importante ressaltar que o custo ao Saema será zero, já que a SOS Mata Atlântica é responsável por todo o processo e até do plantio”, afirmou o presidente do Saema. Para definir os detalhes sobre as articulações com os proprietários das áreas lindeiras às represas, foi marcado um encontro no Centro Cultural “Leny de Oliveira Zurita” no próximo dia 26 de fevereiro, às 9h30.

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