Arquivo/Secom
Samu Reginal de Araras recebe uma média de 2,5 mil a 3 mil ligações por mês.

Assim como demais serviços emergenciais, o Samu busca trabalhar para atender o munícipe o mais rápido possível. No entanto, ligações inoportunas pelo telefone 192 e até trotes atrapalham o trabalho dos profissionais e pode até acarretar situações mais graves, como uma vítima que vir a morrer por ter o atendimento atrasado. Segundo o médico e coordenador do Samu Regional de Araras, Rodrigo Múcio Bandeira Vilela, o serviço tem uma média de 2,5 mil a 3 mil ligações por mês. “Dessa média, de 80 a 100 ligações são trotes. Pode parecer pouco, mas considero esse número alto já que o tempo que um funcionário leva para atender esse trote, uma outra pessoa que realmente está passando mal e precisa da viatura urgentemente pode ficar esperando e até morrer, em alguns casos”, explica o médico.

Segundo Rodrigo, os trotes tendem a se intensificar em horários de entrada e saída de aulas, e também quando os pais não estão em casa. “O que muitos não sabem é que isso é crime e a pessoa que está praticando o trote pode até ser presa”, diz, situação que inclusive já ocorreu em Araras em anos anteriores. O coordenador explica que o Samu de Araras possui hoje seis linhas no PABX para atendimento ao público. “É quase impossível que o munícipe ligue e dê ocupado. São seis linhas ‘tronco’ e são suficientes para atender toda a população que precisa do serviço”, diz.

Desde o ano passado o Samu de Araras passou a ser regional e concentra as ligações de moradores de quatro cicades, por meio da Central de Regulação: além de Araras, Leme, Conchal e Pirassununga. “Ao contrário do que muitos podem pensar, não houve uma diminuição do serviço, pelo contrário. Antes tínhamos duas viaturas em Araras, e hoje contamos com três. Quando um munícipe de algumas dessas outras cidades liga para a nossa central, a solicitação é enviada para a cidade de origem, sendo que cada município possui suas viaturas e equipes próprias em cada localidade”, explica Rodrigo. Segundo ele, com esse modelo de atendimento criou-se um protocolo geral entre os municípios, além de um melhor trânsito das solicitações e informações.

O coordenador ainda esclarece sobre a importância da pessoa que liga ao serviço de responder toda às perguntas feitas pelo atendente, e que são necessárias e importantes na hora de enviar a viatura ao local. “Sabemos que a pessoa está tensa quando liga para nós, mas precisamos de informações básicas como o nome, endereço e demais dados, como em situação em que a vítima está e o que ocorre com ela”, diz Rodrigo. O passo seguinte é encaminhar a ligação a um médico. “É preciso essa triagem para saber, por exemplo, se há a necessidade de enviar uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) móvel ao local ou outro tipo de viatura”, diz.

Ainda segundo Rodrigo, a interlocução da pessoa que liga ao Samu com o atendente é importante, pois o próprio solicitante pode realizar procedimentos de primeiros socorros até a chegada da viatura ao local. “Há situações em que a vida é salva só com as orientações repassadas pelo telefone. Tivemos casos em Araras que a mãe conseguiu salvar o bebê que estava engasgado com o leite, por exemplo, até a viatura chegar na casa”, explica. O médico também fala, no entanto, de situações em que não se deve mexer na vítima. “Em um acidente de trânsito, por exemplo, é necessário esperar a viatura chegar, pois se for mexer na vítima a sua situação pode ficar até mais grave”, diz.

Neste mês de janeiro o Samu Regional de Araras “Gastão Scanavini” foi habilitado pelo Ministério da Saúde e passou a receber verba federal para auxílio no custeio. Ao ano, serão quase R$ 1,3 milhão repassados ao município que, até então, vinha bancando sozinho os custos do serviço de atendimento médico móvel de urgência e emergência. Por mês, o valor será de R$ 106,7 mil, só para Araras. Em dezembro também foram recebidos um Inter 5 (respirador) e uma incubadora neonatal, que buscam melhorar o transporte médico e a saúde de recém-nascidos e prematuros. Atualmente, o serviço conta com 54 funcionários, sendo 14 médicos, auxiliados por enfermeiros, técnicos, coordenadores de frota e demais auxiliares.

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1 COMENTÁRIO

  1. O SAMU de Araras é uma vergonha.
    Na manhã do domingo 15/03/2015, meu pai, um senhor de 68 anos deficiente visual, ligou pedindo socorro para minha mãe que acabara de ter um AVC, logo em seguida ligou pra mim – filha – fui correndo, morro perto do SESI, meus pais no sobradinho, praticamente atravessei a cidade em 5 minutos, cheguei primeiro que o SAMU, meu esposo ligou de novo e conversou com o médico responsável pela triagem, onde ele informou que não iria mandar uma ambulância por causa de uma simples dor de cabeça, hoje faz 11 dias que minha mãe está em coma na CTI de Araras, e só chegou viva, porque eu e meu esposo a colocamos dentro do carro e levamos pra emergência. De qualquer forma, foi fazer o possível e impossível para que sejam responsabilizados pelos descaso que foi feito.

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