A medicação deve ser tomada, preferencialmente, em até duas horas após a exposição ao vírus HIV e no máximo após 72 horas

Os jovens são os que praticam o maior comportamento de risco já que preferem não usar a camisinha durante a relação sexual

Camisinhas podem ser retiradas gratuitamente na rede pública de saúde
Camisinhas podem ser retiradas gratuitamente na rede pública de saúde

Nesta sexta-feira (1º de dezembro) é comemorado o Dia Mundial de Luta contra a Aids, o qual foi instituído por uma decisão da Assembleia da OMS (Organização Mundial de Saúde) realizada em outubro de 1987 com apoio da ONU (Organização das Nações Unidas). No Brasil a data passou a ser adotada a partir de 1988.

Em Araras o SAE/CTA (Serviço de Atenção Especializada / Centro de Testagem e Aconselhamento) Enfermeira Adalgisa dos Santos Gonçalves, coordenado por Gláucia Gonçalves, intensifica a oferta de testes rápidos para a população do município de Araras para diagnósticos de HIV, sífilis e hepatite C, “pois houve um expressivo aumento no número de casos novos no Brasil, principalmente entre jovens”, afirma. Desde ontem o setor já estava desenvolvendo a ação de saúde junto à Uniararas.

Camisinhas podem ser retiradas gratuitamente na rede pública de saúde
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Gláucia explica que “o teste rápido garante um resultado seguro em um curto espaço de tempo. Faremos a campanha em parceria com empresas e universidades, pois o foco é atingir um número maior de jovens”. Segundo ela, “as unidades de atenção básica também estarão realizando testes todos os dias no período de atendimento”.

Casos de jovens com HIV crescem 36% em Araras e região

Araras e as cidades da região, que incluem Americana, Santa Bárbara, Limeira, Iracemápolis, Cordeirópolis, Rio Claro e Piracicaba, tiveram um aumento de 36% no número de casos de HIV em jovens de 15 a 24 anos entre 2005 e 2015. De acordo com a Secretaria de Vigilância em Saúde do Governo Federal Brasileiro, em 2005 havia 652 pessoas vivendo com a doença. Já em 2015 o número foi para 887.

Gláucia Teodoro, coordenadora do Serviço de Atenção Especializada em Araras
Gláucia Teodoro, coordenadora do Serviço de Atenção Especializada em Araras

No mundo, conforme dados da Unaids (Programa da Organização Mundial de Saúde sobre Aids), os números apontam diminuição de novos casos da doença em jovens e também daqueles que convivem com o vírus. Em 2005, 822,5 mil novos casos foram registrados mundialmente. Já em 2015 o número foi para 497,4 mil, uma redução de 40%. A diminuição mais acentuada ficou entre os jovens que já têm a doença: 58%.

O infectologista Luiz Carlos Massaro acredita que perdeu-se o medo da doença. “Os riscos efetivos mudaram ao longo destes anos e os usuários de drogas endovenosas são muito poucos hoje, de forma que o grande grupo de risco são os jovens em atividade sexual ativa, que têm maior número de parceiros que antigamente e que perderam o medo da doença e deixaram de usar preservativos”, concluiu o infectologista.

A medicação deve ser tomada, preferencialmente, em até duas horas após a exposição ao vírus HIV e no máximo após 72 horas
A medicação deve ser tomada, preferencialmente, em até duas horas após a exposição ao vírus HIV e no máximo após 72 horas

Flávia (nome fictício a seu pedido), de 19 anos, contraiu a doença no nascimento. “A aids não tem cara, a única solução é se prevenir. Eu canso de dizer aos meus amigos mais próximos e que sabem da minha condição, para usarem camisinha independente do parceiro. Tomo diversos remédios por dia e esses remédios me causam muitos efeitos colaterais. Não é nada fácil viver com essa doença”, contou a estudante.

Santa Bárbara foi a cidade entre as analisadas que apresentou maior aumento no número de casos entre jovens de 15 a 24 anos. Em 2005 eram 23 pessoas com a doença, já em 2015 os registros somaram 48, um aumento de 108%.

Iracemápolis não apresentou aumento no número de casos entre os jovens. Em 2005 a cidade contava com apenas dois e em 2015 não havia nenhum registrado.

No Brasil

Contra a tendência mundial, o Brasil registrou um aumento de novos casos de Aids. Dados da Unaids apontam que novas infecções no Brasil aumentaram em 4% entre 2005 e 2015. No mesmo período, no mundo, houve diminuição de 24%.

Araras e região registraram um aumento de 56% de casos da doença no mesmo período. No ano de 2005 eram 4.697 casos. Já em 2015 a quantidade atingiu 7.343.

Das cidades analisadas, Santa Bárbara foi a que apresentou o maior aumento no número de casos. Em 2005 o município contava com 245 casos e em 2015 foi para 531, ocasionando um aumento de 117%. Limeira foi o município com o menor índice de aumento no número de infecções. Até 2005 registrou 949 casos e em 2015 o número foi para 1.324.

Segundo Massaro, o aumento tem como principal motivo o fato de novos medicamentos terem diminuído o risco de morte pela doença. “Sempre que tratada a tempo, a doença pelo HIV nem chega a vir e a sobrevida chega a ser, em alguns casos, superior à média da população”, afirmou.

A enfermeira Gláucia Teodoro, coordenadora do SAE (Serviço de Atenção Especializada) de Araras, afirma que a causa do aumento de casos em 52% na cidade entre 2005 e 2015 é devido à introdução de testes rápidos no diagnóstico e a intensificação de campanhas de prevenção que permitem a descoberta do vírus mais cedo. “Nosso serviço oferece testes rápidos para HIV, HEP B, HEP C e Sífilis e o resultado sai em 20 minutos aproximadamente”, explicou. Qualquer pessoa pode realizar o teste, mediante apresentação de documento de identidade com foto e os exames são oferecidos de forma gratuita.

Segundo o infectologista Massaro, há uma mistura de dois processos para justificar o aumento de casos na cidade de Araras, “Um pouco de descuido, em função da melhora muito grande no tratamento, mas também houve de fato campanhas mais abrangentes que detectaram mais casos”, afirma Massaro.

Cerca de 12% dos pacientes notificados em Araras, uma das sete cidades da região analisadas nesta reportagem, não estão em tratamento para a doença, segundo o SAE. A enfermeira Gláucia afirma que essa porcentagem corresponde a pacientes que preferem ser atendidas em cidades vizinhas e também pessoas que desistem ou não querem passar pelo tratamento.

Profilaxia Pós-Exposição

Pessoas que acreditam ter entrado em contato com o vírus recentemente, pelo sexo sem camisinha, devem recorrer ao PEP (Profilaxia Pós-Exposição), uma forma de prevenção da infecção pelo HIV usando os medicamentos que fazem parte do coquetel utilizado no tratamento da Aids.

Nos casos de violência sexual e de profissionais de saúde que se acidentam com agulhas e outros objetos cortantes contaminados essa forma de prevenção já é usada com eficácia.

Caso possivelmente entre em contato com o vírus, busque ajuda em um serviço credenciado. O atendimento inicial é urgente já que o uso dos medicamentos deve começar o mais cedo possível.

O ideal é começar a tomar a medicação em até duas horas após a exposição ao vírus HIV e no máximo após 72 horas. A eficácia da PEP pode diminuir à medida que as horas passam. (Com a colaboração de Maria Rita Zuliani)

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