De 2.500 trabalhadores nas indústrias metalúrgicas de Araras, 50% foram demitidos no último ano – se forem contabilizados também os desligamentos realizados em 2015, a porcentagem sobe para 60%.

Os dados foram fornecidos à reportagem do Opinião pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Araras, Edson Leles dos Santos, e envolvem as 140 empresas que atuam no setor na cidade, desde as que têm funcionário às que já tiveram 450: “O quadro é triste. O arrocho devido à crise econômica do País instalou-se mesmo em 2016. Hoje em dia, quem estava em grandes dificuldades continua no mesmo quadro, quem estava em situação média prossegue igual, com pequenas dificuldades se mantém, e quem não teve condição alguma fechou as portas”, disse Leles. “Do meio do ano passado para cá, todo dia tem demissões nas empresas”, declarou.metalurgico

O sindicalista informou que a cidade possui cerca de quatro empresas que já tiveram 450 funcionários e nos dois últimos anos operam “no escuro, com muitos problemas, com 30, no máximo 50 trabalhadores”. “A maior metalúrgica que tivemos não tem 80 funcionários e os desligados montaram cinco pequenas empresas com equipamentos ainda insuficientes. Três fundições encerraram atividades”, completou.

Para Leles, “a crise do medo levou à incerteza, gerando transtornos sociais. Não sei se diminuindo a taxa de juros vamos resolver a questão. Não dá para combater a inflação às custas da miséria do cidadão e tudo depende dos governantes que não têm vontade de ajudar o pobre”. Apesar da pouca perspectiva de melhora, ele diz que espera “que as vendas melhorem, que os empregos venham, aumentando o campo de trabalho, e que as empresas atendam o crescimento”, analisou.

O Opinião ouviu o secretário de Desenvolvimento Econômico, Geração de Emprego e Renda, Felipe Castro, que disse que o Governo Federal está trabalhando para que o quadro melhore. “Nós estamos buscando novas empresas para se instalarem no município e, com isso, contratando pessoas. Também até o final do mês estaremos fazendo uma pesquisa junto às empresas e sindicatos para detectar as dificuldades deles e fazermos o que é possível para evitar que as demissões aconteçam”. Na ocasião, Castro também colocou a Secretaria à disposição dos empresários e sindicalistas: “Podem nos procurar. A Secretaria está totalmente aberta para auxiliá-los no que for possível”, frisou. A pasta funciona na rua Barão de Arary, 540, Centro. O telefone para contato é 3544-9400.

 

 


 

DPA demite 50 e empresas de pequeno porte fazem cortes frequentes

 

Parcelamento do 13º salário e da PLR (participação nos lucros e resultados) relativa a 2016 em várias vezes mostram bem a situação atual das empresas do setor de alimentação neste início de ano em Araras. As pequenas empresas que comportam 15 a 30 funcionários em seus quadros também enfrentam dificuldades. O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Araras e Leme registra dispensas, pelo menos, dois dias por semana. “Fazemos de tudo para manter o emprego, mas infelizmente as demissões têm ocorrido com frequência”, afirma o presidente do sindicato, Élio Ramos Costa.

Com o término da safra, as usinas do município estão operando com os quadros fixos de funcionários. Na semana passada, a planta de Araras da empresa DPA (Dairy Partners Americas) anunciou a demissão de 50 funcionários, cinco deles já aposentados, de seus 1.100 colaboradores. A multinacional vinha negociando com o Sindicato desde outubro. Ocorre que a estagnação do mercado aumentou em 17% “e o resultado é essa notícia triste que não temos como omitir”, declarou Élio Costa ao Opinião. A DPA é uma joint venture formada pela Nestlé e a cooperativa neozelandesa Fonterra.

A crise econômica que se instalou no País e consequente queda de produção, principalmente em setores específicos, levou a DPA a utilizar todos os recursos possíveis para evitar esta difícil situação para qualquer trabalhador. “A empresa usou férias coletivas, banco de horas, tudo o que foi possível. Demissões no final do ano são muito desagradáveis e, com a expectativa de melhorias em janeiro, prorrogou-se o prazo para que elas acontecessem”, afirmou Costa, que toda semana mantém contato com a gerência e o departamento de recursos humanos da DPA e outras unidades instaladas no município.

Ele explicou ainda que os funcionários desligados, além das verbas rescisórias, terão três meses de ticket alimentação e convênio médico – para aqueles cuja esposa estiver grávida, ela será acompanhada até o nascimento do bebê. “A expectativa é que dentro de três meses a situação melhore e muitos destes trabalhadores possam retornar a seus postos”, concluiu. (CS)

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