Nando Pires é músico, compositor e escreve aos sábados no Opinião
Nando Pires é músico, compositor e escreve aos sábados no Opinião www. nandopires.com.br

O Brasil veio se acostumando a um tipo de política do “puxa-saquismo”, onde a invenção de ministérios governamentais e a nomeação de pessoas partidárias ou de representantes de classes serviam para barganhar apoio para os governos e também para dar a sensação de que se estava fazendo alguma coisa.

Eu sou da opinião que o número de pessoas envolvidas eleva a quantidade de opiniões, que por sua vez representam algumas possibilidades produtivas, mas às vezes servem apenas para representar os “egos” dos envolvidos e que ao não serem acatadas algumas das sugestões findam por ferir o íntimo dos “pitaqueiros”, resultando em conflito.

Traduzindo: Quanto mais ministérios, mais ministros, mais secretários e assessores, mais opiniões nas próprias pastas e nas dos outros e o volume de ideias vai muito além do que se poderia fazer realmente, gerando conflitos e aumentando (e muito) as despesas públicas.

Por outro lado, ao contemplar um grupo x ou y (como o pessoal da cultura ou dos esportes) com ministérios específicos faz parecer que essas pastas exclusivas seriam mais eficientes e elevariam o status das áreas com condição de ministério.

Mas se as coisas ficam só no papel e não ocasionam realizações efetivas, de que adianta os tais status ministeriais?!

Nas estruturas dos governos anteriores haviam os ministérios da cultura e dos esportes, porém o futebol continuou sendo o principal esporte no país e teve seu crescimento de mercado justamente nessa modalidade esportiva por conta de que o Brasil exporta jogadores que se despontam mundo afora. Nos demais esportes não houve um crescimento significativo, exceto no MMA, onde o jiu-jitsu dos Gracie criou uma escola típica daqui, resultando em grandes campeões dessa categoria. Ou seja, percebe-se nitidamente que os investimentos públicos nas demais áreas esportivas não resultaram em medalhas e pódios nas outras modalidades.

Na cultura e nas artes ocorreu basicamente o mesmo e nesse caso podemos ver que a modalidade artística com maior adesão de público no país é a música popular cantada e a produção televisiva.

Quanto à música, os gêneros que aglutinam mais público são o sertanejo, o pagode, o funk carioca (que deveria chamar “pancadão”) e o axé. Vê-se também que os programas de TV ligados à música têm grande repercussão junto aos telespectadores e impulsionam as carreiras dos cantores e bandas concorrentes. Mas são programas basicamente ligados ao talento de cantar.

Das produções televisivas, as que colhem maior audiência continuam sendo as telenovelas, programas de humor e minisséries. Ainda é possível observar um desdobramento da influência da TV nos segmentos do teatro, do cinema e no Youtube, onde os famosos atores, atrizes e humoristas dominam largamente os rankings de visualizações.

Creio que depois daquele primeiro momento da internet onde tudo era livre para publicar e visualizar, agora tudo está convergindo para as grandes empresas de mídia e de certa forma a rede mundial de computadores acabou se somando ao “main streaming”.

Ocorre que não tinha como as empresas provedoras de conteúdos e das redes sociais gerenciarem, direcionarem, impulsionarem e até bloquearem pessoas e conteúdos, mas agora essa megaindústria atua incisivamente sobre tudo o que circula na comunicação digital. Porém, quando pensamos em termos de “microcosmo” ainda se vê possibilidades baratas para divulgar os trabalhos artísticos, mas quando se quer grande abrangência existem custos altos para isso.

Observe que os cenários esportivo e cultural que vinham do passado passaram pelos governos anteriores (onde as duas áreas tinham ministérios) e nada mudou muito. O futebol, a música popular cantada e a teledramaturgia já eram fortes e cresceram mais ainda! Ou seja, o “mercado” foi muito mais eficiente do que as políticas públicas! Muito mais!

Queremos mais arte e mais cultura?! Sim!!!

Queremos mais modalidades esportivas e resultados melhores nas competições?! Sim também!!!

Mas isso vem apenas por fazer ministérios dedicados às áreas que forem?! Já vimos que não…

Então qual seria a melhor forma de elevar definitivamente a qualidade artística, cultural e desportiva?! Primeiro tem de ter educação dessas áreas nas escolas infantis, juvenis e concomitantemente a isso se tem de fortalecer o “mercado” dessas áreas junto às empresas, profissionais e público que consome e consumirá mais as produções e realizações dessas áreas! Só assim o Brasil vai avançar!

Basta lembrar de toda a análise acima para perceber que onde o “mercado” tinha maior interesse e atuou com maior força houve crescimento e continuidade, passando as dificuldades, adaptando-se e se modernizando no decorrer do tempo e dos governos.

Despeço-me com a enorme alegria de não pautar outra tragédia descomunal e findo por desejar a todos um ótimo, divertido e revigorante final de semana!

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