A Polícia Militar vai instaurar um inquérito interno para apurar as circunstâncias em que três pessoas morreram durante um confronto com policiais na noite da última sexta-feira, dia 23. Além disso, outro inquérito na Polícia Civil já foi instaurado para o caso. Na ocasião, um policial militar também foi atingido por um disparo na região do seu colete a prova de balas, efetuado por um dos envolvidos.

Conforme apurado pela PM, a corporação recebeu por volta das 22h10 uma denúncia através do telefone 190 o qual informava que indivíduos armados em um veículo Ômega GLS, de cor azul, iriam praticar roubos em residências nas cidades de Araras e Cordeirópolis/SP, e que o ponto de partida dos envolvidos seria o Condomínio “Arnaldo Mazon”, no bairro Narciso Gomes.

Segundo a PM, policiais da Rocam (Rondas Ostensivas Com Apoio de Motocicletas) seguiram em direção ao bairro indicado pela denúncia e durante o trajeto avistaram um mesmo Ômega. Ainda no boletim de ocorrência do caso os policiais afirmam que fizeram sinal sonoro e luminoso dando ordem de parada, mas que logo na sequência “foram realizados disparos de arma de fogo pelos ocupantes do veículo”, consta no registro. Os policiais afirmam ainda que tentaram realizar nova abordagem, mas aquele indivíduo que conduzia o Ômega teria feito uma manobra busca, o que ocasionou a queda de um dos pms que estava em sua moto.

Logo em seguida teve início um tiroteio entre os ocupantes do veículo Ômega e dois dos policiais militares, sendo que três dos indivíduos no carro morreram ao serem atingidos pelos disparos. Ideraldo Cassiano, de 23 anos; Bruno Eduardo Batista Teixeira, de 27 anos; e o adolescente Júlio Rafael Ramos da Silva, de 16 anos, são todos moradores no Condomínio “Arnaldo Mazon”, chegaram a ser socorridos pelo resgate do Corpo de Bombeiros, mas vieram a óbito. Um dos pms envolvidos também foi alvejado por um tiro, que atingiu o seu colete balístico, na região do abdômen, e não chegou a ficar ferido gravemente.

O confronto ocorreu exatamente no km 43+700 metros da rodovia SP-171, no Jardim dos Ypês. Foi apurado que o menor Júlio, na posse de um revólver de calibre 32, teria efetuado todos os seis disparos de capacidade da arma; Ideraldo teria realizado quatro dos seis disparos de um revólver de calibre 38 que ele segurava; e Bruno, também teria feito quatro dos seis tiros com um revólver de calibre 22. Todas essas armas foram apreendidas. Já com os dois policiais envolvidos no confronto foram feitos nove disparos com uma pistola de calibre 40 e dez disparos com o mesmo tipo de arma do pm. Todo esse armamento recolhido foi encaminhado à perícia. A Polícia Civil também recolheu o colete a prova de balas do policial atingido.

No veículo Ômega, juntamente com os indivíduos ainda estava uma adolescente de 17 anos, que inclusive está grávida de seis meses. A menor não foi atingida por nenhum disparo e ao ser encaminhada até o plantão policial permaneceu apreendida, e depois apresentada na Vara da Infância e Juventude de Araras.

O delegado Daniel Pinho da Torre, que estava de plantão na ocasião e foi responsável pelo registro do caso, relatou no histórico da ocorrência que os indícios são suficientes para entender “que os policiais revidaram de forma proporcional à injusta agressão, amparados pela excludente de ilicitude da legítima defesa”, consta no registro. Um inquérito instaurado na Polícia Civil busca apurar o ocorrido e também a acusação aos envolvidos mortos, de que iriam praticar assaltos. Todos os acusados mortos foram sepultados no sábado, dia 24, no Cemitério Municipal de Araras.

O subcomandante da 2ª Cia da PM de Araras, 1º tenente Helington Ilgges da Silva, disse à reportagem que considera a ação dos policiais como legítima. “Pelo que foi apurado até agora foi uma ação legítima porque os policiais acabaram se defendendo de uma agressão, no caso, dos tiros que foram efetuados primeiramente pelos acusados”, afirma. “São indivíduos já conhecidos nos meios policiais, alguns com antecedentes criminais”, ressalta.

Polícia Civil de Araras
Veículo em que as vítimas estavam também foi alvejado no tiroteio

Ilgges ainda afirma que será instaurado um inquérito interno na PM. “Devido a gravidade da ocorrência, os policiais envolvidos vão passar por um acompanhamento psicológico, mas continuação trabalhando por enquanto na parte administrativa, e depois voltam ao trabalho normal nas ruas”, afirma.

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