A safra 2015/2016 da Usina São João em Araras foi marcada pelo início da comercialização de energia a partir do bagaço de cana. A usina, que até então produzia energia apenas para consumo próprio, garantindo sua autossuficiência, agora tem capacidade para vender o excedente, graças à implantação de uma nova caldeira e um novo gerador. Dos 72 mil MW gerados este ano, 19 mil MW foram comercializados. O potencial é chegar a 30 mil MW a cada safra, o suficiente para iluminar 20 mil casas por seis meses. O investimento foi superior a R$ 80 milhões.

Encerrada no último dia 16, esta não foi uma safra típica para a usina. A alteração no ritmo e na produtividade foi consequência de dois fatores principais: o projeto e montagem da cogeração de energia (caldeira de alta pressão e gerador elétrico) e as condições climáticas.

O chamado “comissionamento de partida”, que significa colocar em funcionamento os novos equipamentos, ocorreu bem no início da safra, o que trouxe mais dificuldade aos ajustes nos processos. Outro ponto importante é que o projeto todo, da concepção à estabilização dos equipamentos, foi feito em apenas 16 meses, quando normalmente processos semelhantes demandam até 24 meses. Isso exigiu a concentração de esforços nessa área e alguns ajustes no decorrer da safra.

 

Excesso de chuvas

O clima foi outro fator que influenciou o comportamento da safra este ano. O índice pluviométrico no Estado de São Paulo no segundo semestre, medido pela Estação Experimental de Valparaíso – Ridesa / Ufscar, ficou bem acima da média dos últimos 15 anos. Em novembro, principalmente, o índice foi três vezes maior do que a média (497mm contra 169mm).

Isso teve dois impactos: melhorou a produtividade dos canaviais do Centro-Sul em mais de 10%, mas também levou a um atraso na colheita na região e em todos os estados do Sudeste. Os dois fatores combinados – mais cana para colher e mais interrupções por causa da chuva – resultaram, para todas as usinas, em uma safra longa e em um significativo volume de cana que não será colhido este ano.

Na Usina São João, cuja safra costuma se encerrar no final de outubro/início de novembro, a colheita foi prolongada até dia 16 de dezembro, superando 3,1 milhões de toneladas. A usina decidiu antecipar em 40 dias o início da próxima safra, agora previsto para meados de março, a fim de aproveitar o volume de cana remanescente que já estará pronto para colheita.

Com a entressafra mais curta (de meados de dezembro a meados de março), a manutenção do maquinário também será adaptada, com serviços sendo realizados de forma mais intensa e planejada para garantir os prazos.

Após o processamento, as 3,1milhões de toneladas de cana desta safra foram convertidas em 213 mil toneladas de açúcar (o equivalente a quase 4,3 milhões de sacas), 105 milhões de litros de etanol e ainda 19 mil MW/ano de energia elétrica vendida. Tradicionalmente mais dedicada ao açúcar do que ao etanol em seu mix de produtos, nesta safra a Usina São João alterou ligeiramente a proporção — devido às condições climáticas e à montagem dos novos equipamentos, reduziu o percentual dedicado ao açúcar para 58% e elevou o dedicado ao etanol para 42%.

 

Perspectivas para 2016/2017

Para a safra 2016/2017, a Usina São João estima que o volume de cana a ser esmagado será superior a 3,5 milhões de toneladas, o que permitirá voltar a elevar para mais de 62% o percentual da matéria-prima destinada à produção de açúcar cristal. O objetivo é atender clientes no segmento de alimentos e bebidas, capturando os bons preços desse mercado.

A Usina São João também pretende se consolidar no segmento de produção e comercialização de energia elétrica, com a melhor adequação de seus processos e estruturas.

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